Mês das Almas do Purgatório – NOVEMBRO

MÊS DAS ALMAS DO PURGATÓRIO_CAPA

Mês das Almas do Purgatório

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Mons. Dr. José Basilio Pereira

10.a EDIÇÃO 1943

Editora Mensageiro da Fé Ltda. — Salvador — Baía

NIHIL OBSTAT: Baía, 19 de Julho de 1942

FREI BRUNO MOOS, O. F. M. — Cens. Dioc.

REIMPRIMATUR — Baía, 20 de Julho de 1942

MONS. ANNIBAL MATTA – Pro-Vig. Geral

DIREITOS RESERVADOS

MÊS DAS ALMAS DO PURGATÓRIO

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Para as pobres almas, que sofrendo estão,

Bom Jesus, não falte vossa compaixão.

INTRODUÇÃO

Doutrina da Igreja Católica

I

Existência do Purgatório

I. — O Purgatório é um lugar de sofrimento em que as almas dos que morrem em estado da graça, mas sem haver satis­feito à justiça divina quanto à pena tem­poral incorrida por seus pecados, acabam de se purificar, solvendo essa dívida para poderem ser admitidas no Céu, onde con­forme a Escritura, só entrará quem for puro.

II. — As provas da existência do Purgatório podem ser tomadas :

1º. DA ESCRITURA SAGRADA. O Antigo Testamento mostra-nos Judas Macabeu recolhendo doze mil dracmas, es­polio de uma vitória memorável, e remetendo-as para Jerusalém, a fim de que se oferecessem sacrifícios pelas almas dos que haviam perecido no combate, por ser, dizia ele, um pensamento pio e salutar o de orar pelos mortos para que se resgatem de suas faltas.

O Novo Testamento refere-nos estas pa­lavras de Jesus Cristo bem claras e preci­sas: Há pecados que nunca são remetidos, nem neste mundo nem no outro. (Mat. 12) Haverá, portanto, pecados que serão per­doados na outra vida. Não são menos frisantes estas outras palavras da pará­bola do credor: Há uma prisão donde não se sairá senão quando se tiver pago o ceitil derradeiro. (Mat, 18). — E estas de São Paulo: Haverá no último dia um fogo que destruirá as obras de certas almas, que só então salvar-se-ão. (Cr, 3.)

2º. DA TRADIÇÃO INTEIRA, à qual deu o Concilio de Trento esta ratificação infalível:

«Se alguém pretender que todo peca­dor penitente, quando recebe a graça da justificação, obtém a remissão da culpa e da pena eterna de tal sorte que não fica devedor de nenhuma pena temporal a so­frer na terra ou na vida futura no Pur­gatório, antes de entrar no reino dos Céus: seja anátema ! (Sess. 6.a)[*]

3º. DA RAZÃO, finalmente, como São Boaventura com sua lucidez ordinária ex­põe nestes termos:

«O Purgatório deve existir por muitas causas:

A primeira, como observa Santo Agos­tinho, é que há três ordens de pessoas: Umas inteiramente más, e a essas não aproveitam os sufrágios da Igreja; outras inteiramente boas, que não precisam de tais sufrágios; outras, enfim, que não são de todo más, nem de todo justas e a estas cabem as penas passageiras do Purgatório, porque suas faltas são veniais.

A segunda causa é a própria justiça de Deus, porque, assim como a soberana bon­dade não sofre que o bem fique sem re­muneração, assim a suprema justiça não permite que o mal fique sem nenhuma punição…

A terceira razão para que haja um Purgatório é a sublime e santíssima dignidade da luz divina que somente olhos puros devem contemplar. É preciso, pois, que volte cada um à sua inocência batismal, antes de comparecer na presença, do Al­tíssimo.

Além disso, todo pecado ofende a Majestade Divina, — é prejudicial à Igreja — e desfigura em nós a imagem de Deus.

Ora, toda ofensa pede um castigo, todo dano uma reparação, todo mal um remédio; portanto é necessário também (neste mundo ou no outro) uma pena que cor­responda ao pecado.

Demais, os contrários ordinariamente curam-se com os contrários, e como o pecado nasce do prazer, o castigo vem a ser o seu remédio natural.

A ninguém pode aproveitar a negligên­cia, que é um defeito, e, se tal defeito não fosse punido, pareceria de vantagem para a vida futura não cuidar de fazer pe­nitência neste mundo.» (Comp. teol., 7).

II

Penas do Purgatório

A revelação que nos fala claramente da existência de um Purgatório não se ex­plica tão claramente sobre o estado em que se acham as almas que precisam de purificar-se; não podemos, portanto, saber com exatidão nem onde elas sofrem, nem o que sofrem, nem de que modo sofrem.

Só podemos afirmar que as penas do Purgatório são extremamente graves e de duas -espécies: a primeira, a mais insu­portável, diz o Concílio de Florença, é a privação de Deus.

A necessidade de ver e possuir a Deus, que a alma, desprendida do corpo, com­preende ser o objeto único de sua felici­dade: essa necessidade se faz sentir a todas as nossas faculdades com uma força extraordinária.

É uma sede ardente, é uma fome devoradora, é um vazio medonho, uma espécie de asfixia produzida pela ausência de Deus, que é o alimento e o ar de nossa alma.

A segunda é uma dor que põe a alma em torturas mais cruéis do que as que os tiranos infligiam aos mártires.

A Igreja não definiu a natureza desta dor, mas permite ensinar-se geralmente que há no Purgatório, como no inferno, um fogo misterioso que envolve as almas sem consumi-las; e, diz La Luzerne, con­quanto não seja um artigo de fé, todas as autoridades dão tanto peso à doutrina de um fogo expiatório que seria temeridade desprezá-la.

III

Causas do Purgatório

São duas as causas do Purgatório:

1.a A falta de satisfação suficiente pelos pecados remetidos. É de fé que Deus, perdoando os pecados cometidos depois do batismo e a pena eterna devida a esses pecados quando são mortais, deixa ordi­nariamente ao pecador já reconciliado a dívida de uma certa pena temporal que ele há de solver nesta vida ou na outra.

2.a Os pecados veniais de que os justos podem estar maculados quando partem deste mundo.

IV

Estado das almas do Purgatório

Conquanto padecendo os mais cruéis tormentos, não se abandonam as almas do Purgatório à impaciência nem ao desespero: estão na graça e na caridade, e sua vontade tanto se conforma com a vontade divina, que elas querem com alegria tudo o que Deus quer. — Adoram a mão que as castiga e, por mais desejos que tenham de seu livramento, não o almejam senão na ordem dos decretos divinos. Conso­lam-se com a certeza que tem de não ofender mais a Deus e de ir um dia pos­suí-lo no Céu por toda a eternidade.

V

Duração das penas do Purgatório

Essas penas durarão pouco em relação às penas do inferno que são eternas, mas, consideradas em si mesmas, podem durar muito tempo. A Igreja autoriza os sufrágios de aniversário por muitos anos e até durante séculos: o que faz supor que as almas podem ficar todo esse tempo no Purgatório. Autores respeitáveis, entre outros Belarmino, admitem que haja peca­dores detidos no Purgatório até o fim do mundo.

VI

Boas obras em favor das almas do Purgatório

Há entre os fieis vivos e os fieis mor­tos comunicação das boas obras.

—«A Igreja católica, esclarecida pelo Espírito Santo, aprendeu nas divinas Es­crituras e na antiga Tradição dos Santos Padres e tem ensinado nos grandes Con­cílios que há um Purgatório e que as almas detidas nesse lugar são socorridas pelos sufrágios dos fiéis e principalmente pelo precioso Sacrifício do Altar». (Conc. Trent. sess, 25.)

O corpo místico de Jesus Cristo se com­põe de três Igrejas bem distintas: a Igreja triunfante no Céu, — a Igreja padecente no Purgatório, a Igreja militante na terra. Essas Igrejas, distintas em razão de sua situação diversa, compõem realmente um só corpo, do qual Jesus Cristo é a cabeça; em virtude da comunhão dos Santos, que professam no símbolo, elas se pres­tam mútuo auxilio. Tal é a magnífica harmonia do corpo da Igreja católica.

Não poderíamos nunca, diz o catecismo romano, exaltar e agradecer devidamente a inefável bondade divina que outorgou aos homens o poder de satisfazer uns pelos outros e pagar assim o que é devido ao Senhor.

VII

As orações das almas do Purgatório

É certo que as almas do Purgatório não podem merecer para si, mas ensinam comumente os teólogos, diz Monsenhor Devie, que se lhes pode fazer súplicas e que Deus se digna atendê-las, quando elas exercem a caridade para conosco, pedindo o que é necessário. — Os Santos no Céu, acrescenta esse prelado, não podem mere­cer para si; entretanto eles pedem por nós. É a doutrina de Belarmino, de Suarez, de Lessio e de Liguori.

«As almas que pensam, diz Belarmino, são santas, oram como os Santos; e são escutadas em razão de seus méritos an­teriores.»

«A opinião de que as almas do Purgatório oram por nós, diz Suarez, é muito pia e muito conforme à ideia que temos da bondade divina: não é em nada errônea.»

«Os mortos, observa ainda Belarmino, podem vir em nosso auxilio, porque os membros devem imitar a cabeça, o chefe Jesus Cristo… Há-de se dar a reciprocidade entre os membros de um mesmo

corpo: assim como na Igreja os vivos socorrem os mortos, os mortos devem so­correr os vivos, cada um a seu modo».

Todavia, a Igreja em seu culto externo não pratica a invocação das almas do Purgatório.

VIII

Aparições das almas do purgatório

1º. Estas aparições estão na ordem, das coisas que Deus pode permitir, e não repugnam a nenhuma das suas perfeições.

Mas as almas do Purgatório, privadas dos seus corpos, não podem por força própria entrar em comunicação com o mundo sen­sível: é preciso um prodígio para que isto se realize.

2º. A Sagrada Escritura faz menção de aparições de mortos como de Samuel a Saul, de Jeremias e do grão-sacerdote Onias a Judas Macabeu, de muitos que saíram do túmulo na morte de Jesus Cristo e foram vistos em Jerusalém.

3º. Um grande número de aparições que se contam são imaginárias, mas é certo que as tem havido verdadeiras, até mesmo em tempos não remotos. Santo Agostinho, S. Bernardo, S. Gregório Magno e S. Liguori referem várias, e seria mais do que temerário acusá-los de mentira ou de imbecilidade. S. Tomás diz: «As almas dos mortos manifestam-se algumas vezes por uma disposição particular da Providencia para se ocuparem de coisas humanas».[†]

4º. A Igreja não condenou, em tempo nenhum, esta crença. Cumpre dizer tam­bém que ela nunca sancionou com sua autoridade a autenticidade absoluta de ne­nhuma aparição citada pelos Santos.

5º. Sendo as almas do Purgatório santas, boas e caritativas conosco, quando têm de Deus a permissão de nos aparecer não é evidentemente senão para testemunhar seu amor ou invocar o nosso: longe, pois, de nos causar terror, uma aparição deveria alegrar-nos.

Assim devemos ter como alucinação fantasmagórica, conto de pura invenção, toda aparição que só tenha por fim apavorar os vivos. É uma indignidade prestar este papel a almas santas.

ORAÇÕES PARA CADA DIA DO MÊS

Em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo. Amem.

Senhor, preparai e fortalecei nossos corações com a abundância de vossa graça, a fim de que, penetrando, em espírito de fé, caridade e compaixão, nas tristes prisões do Purgatório, possamos levar aos fieis que nele sofrem os tesouros de su­frágios que dão alívio a seus padecimentos, glória à vossa divina Majestade, con­solação e paz a nossas almas.

V. Vinde, Senhor, em meu auxilio.

R. Deus, acudi em meu socorro.

V. Dai às almas o repouso, Senhor.

R. E da luz eterna o esplendor.

V. Descansem em paz.

R-. Amem.

ORAÇÃO

Ó santa e augustíssima Trindade! Ó Jesus! Ó Maria! Anjos benditos; Santos e Santas do Paraíso, alcançai-me as se­guintes graças que peço pelo Sangue de Jesus Cristo: Fazer sempre a vontade de Deus;

Viver estreitamente unido com Deus;

Pensar incessantemente em Deus;

Amar sobre todas as coisas a Deus;

Fazer tudo por Deus;

Procurar só a gloria de Deus;

Fazer-me santo por amor de Deus;

Reconhecer minha miséria e o meu nada; Conhecer cada vez mais a vontade de meu Deus.

Santa Maria, oferecei ao Eterno Padre o Sangue precioso de Jesus Cristo pela salvação de minha alma, pelas santas almas do Purgatório, pelas necessidades da Santa Igreja, pela conversão dos pecado­res, pelo mundo inteiro.

Lê-se a Meditação própria do dia, cuja série se en­contra adiante, e reza-se, depois esta

Salve Rainha

PELOS MORTOS

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, não só neste vala de lágrimas, porém ainda no lugar de nossa expiação, salve! A vós clamamos, Consoladora dos aflitos; a vós suspiramos, gemendo e chorando por nossos irmãos que sofrem no Purgatório. Esses vossos olhos misericordiosos volvei a eles, Advogada nossa; e mostrai-lhes Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Isto vos rogamos encarecidamente por eles, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria! Intercedei pelos mortos, Santa Mãe de Deus, para que entrem já no gozo das promessas de Cristo. Amem.

ORAÇÃO

Ó Jesus, abandonado de todos e até de vossos apóstolos no Jardim de Getsêmani, dignai-vos lançar os olhos de misericórdia sobre as almas do Purgatório, em particular sobre as que não recebem orações nem consolações e que, pelo decurso do tempo ou efeito de irreligiosidade e negligencia, estão esquecidas; fazei que participem das orações, santos sacrifícios, boas obras, cujo mérito não puder ser aplicado àqueles por quem a Igreja os oferta. Ah! Senhor, não terei eu abandonado, em um criminoso olvido, almas que tenham jus a meu reconhecimento, de parentes, de amigos, de benfeitores? Quero daqui em diante reparar tão grande ingratidão… Se conhecesse algum meio eficaz, por mais penoso que me fosse, empregá-lo-ia para aliviar essas pobres almas sem proteção no meio de um oceano de sofrimentos. Entretanto, eu me proponho fazer todos os sacrifícios que puder, e todo bem que fizer ofereço-vos à vossa glória pelas almas do Purgatório. em consideração de sua fé e esperança em vós, em consideração, principalmente, da agonia mortal e cruel abandono que sofrestes: dignai-vos, ó Jesus, remitir-lhes as penas que ainda têm de sofrer, a fim de que pos­sam ter livre entrada no reino eterno a que aspiram e onde celebrarão a grandeza ine­fável de um Deus que não desampara ninguém.

Ladainha pelos fieis defuntos

Extraída do «Manual dos Ordenandos»

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus Padre, dos Céus, tende misericór­dia dos fiéis defuntos.

Deus Filho, Redentor do mundo, tente misericórdia dos fiéis defuntos.

Deus Espírito Santo, tende misericórdia dos fiéis defuntos.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende misericórdia dos fieis defuntos.

Santa Maria, rogai pelos fieis defuntos.(*)

Santa Mãe de Deus, rogai pelos fieis defuntos.

Santa Virgem das virgens, rogai pelos fieis defuntos.

S. Miguel, rogai pelos fieis defuntos.

Santos Anjos e Arcanjos, rogai pelos fieis defuntos.

S. João Batista, rogai pelos fieis defuntos.

S. José, rogai pelos fieis defuntos.

Santos Patriarcas e Profetas, rogai pelos fieis defuntos.

S. Pedro, rogai pelos fieis defuntos.

S. Paulo, rogai pelos fieis defuntos.

S. João, rogai pelos fieis defuntos.

Santos Apóstolos e Evangelistas, rogai pelos fieis defuntos.

Santo Estevão, rogai pelos fieis defuntos.

S. Lourenço, rogai pelos fieis defuntos.

Santos Mártires, rogai pelos fieis defuntos.

S. Gregório, rogai pelos fieis defuntos.

Santo Ambrósio, rogai pelos fieis defuntos.

Santos Pontífices e Confessores, rogai pelos fieis defuntos.

Santa Maria Madalena, rogai pelos fieis defuntos.

Santa Catarina, rogai pelos fieis defuntos.

Santas Virgens e Viúvas, rogai pelos fieis defuntos.

Santos todos e Santas de Deus, interce­dei pelos fiéis defuntos.

Sede propício: perdoai-lhes, Senhor.

Sede propício: escutai-nos, Senhor.

De todo o mal, livrai-os, Senhor.

Da vossa ira, livrai-os, Senhor.

Do ardor da fogo, livrai-os, Senhor.

Da região das sombras da morte, livrai-os, Senhor.

Por vossa admirável conceição, livrai-os, Senhor.

Por vosso nascimento, livrai-os, Senhor.

Por vosso nome dulcíssimo, livrai-os, Senhor.

Pela multidão de vossas misericórdias, livrai-os, Senhor.

Por vossa Paixão acerbíssima, livrai-os, Senhor.

Por vossas chagas sacratíssimas, livrai-os, Senhor.

Pela morte ignominiosa com que, mor­rendo, vencestes nossa morte,

Pecadores: nós vos rogamos, atendei- nos.

Vós que absolvestes a pecadora e escutastes o bom ladrão, nós vos rogamos, atendei- nos.

Vós que salvastes gratuitamente todos os que estão salvos, nós vos rogamos, atendei- nos.

Que absolvais de todos os seus peca­dos e penas aos nossos parentes, propínquos e benfeitores, nós vos rogamos, atendei- nos.

Que vos digneis lembrar-vos e compa­decer-vos de todos os fiéis defuntos que não são mais lembrados na terra, nós vos rogamos, atendei- nos.

Que outorgueis a todos os que descan­sam em Cristo o lugar de refrigério, da luz e da paz, nós vos rogamos, atendei- nos.

Que convertais sua tristeza e luto em alegria, nós vos rogamos, atendei- nos.

Que vos digneis coroar sua aspiração, nós vos rogamos, atendei- nos.

Que os façais bendizer-vos de tudo e vos oferecer para sempre o sacrifício do vosso louvor, nós vos rogamos, atendei- nos.

Que os eleveis ao grêmio dos vossos escolhidos, nós vos rogamos, atendei- nos.

Filho de Deus, nós vos rogamos, atendei- nos.

Fonte de piedade, nós vos rogamos, atendei- nos.

Vós que tendes a chave da morte e do inferno, nós vos rogamos, atendei- nos.

Cordeiro de Deus, que tirais os peca­dos do mundo, dai o repouso aos fiéis defuntos.

Cordeiro de Deus, que tirais os peca­dos do mundo, dai o repouso aos fiéis defuntos.

Cordeiro de Deus, que tirais os peca­dos do mundo, dai aos fiéis defuntos o repouso eterno.

Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Padre-Nosso

V. Das portas do inferno,

R. Salvai as suas almas, Senhor.

V. Descansem em paz.

Amem.

V. Senhor, escutai a minha oração,

R-. E chegue até vós o meu clamor.

OREMOS

Ó Deus, que perdoais aos pecadores e quereis a salvação dos homens, de vossa clemência imploramos que, pela intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria e de todos os vossos Santos, leveis à eterna bem-aventurança nossos irmãos, pa­rentes e benfeitores que tem partido deste mundo. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amem.

Querendo orar especialmente por um defunto:

Inclinai-vos, Senhor, a ouvir as humil­des preces com que solicitamos vossa mi­sericórdia, para que transporteis à região da paz e da luz a alma de vosso servo ………….. que retirastes deste mundo, e a façais participante da felicidade dos Santos. Por Cristo Nosso Senhor. Amem.

Por uma defunta:

Nós vos suplicamos, Senhor, por vossa misericórdia, que vos amerceeis da alma de vossa serva e, tendo-a liber­tado da corrupção da vida mortal, lhe deis a posse da salvação eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amem.

Salmo De Profundis:

Do profundo abismo, em que me acha­va, clamei por vós, Senhor: Senhor, ouvi a minha voz.

Inclinem-se vossos ouvidos atentos ao clamor de minhas súplicas.

Se considerardes nossas iniquidades, Se­nhor: Senhor, quem se poderá sustentar?

Mas em vós se encontra a propiciação, e Vossa lei me anima a confiar em vós, Senhor.

Minha alma descansou na palavra do Senhor e nele pôs toda a sua esperança.

Espere assim Israel no Senhor, desde o raiar da aurora até o mais escuro da noite.

Porque o Senhor é todo misericórdia, e copiosa é a graça de sua redenção.

E ele mesmo há de remir Israel de todas as suas iniquidades.

V. Dai-lhes o descanso eterno, Senhor,

R. E da luz perpetua o esplendor.

V. Da porta do inferno,

R. Livrai, Senhor, suas almas.

V. Descansem em paz.

R. Amem.

V. Ouvi, Senhor, a minha oração,

R. E chegue a vós o meu clamor.

ORAÇÃO

Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas de vossos ser­vos e servas a remissão de todos os seus pecados, a fim de que, pelas humildes sú­plicas de vossa Igreja, obtenham o pleno perdão que sempre esperaram de vossa infinita misericórdia. Vós que viveis e rei­nais por todos os séculos dos séculos. Amem.

W. Dai-lhes o descanso eterno, Senhor,

R. E da luz perpetua o esplendor.

V. Descansem em, paz.

R. Amem.

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LEMBRANÇA DAS ALMAS DO PURGATÓRIO

DIA 1

A vigília dos mortos

Acabo de ler a tocante denominação da festa de amanhã: Comemoração dos mor­tos, lembrança dos finados.

A Igreja católica não quer que sejamos ingratos e esquecidos, e por isso criou esta festa das recordações, festa pia dos corações amantes.

Sede bendita, Santa Igreja, que depois de nos terdes assistido até nossa hora derradeira e depois de nos haverdes cer­rado os olhos, ainda cuidais de nós: trazendo-nos à lembrança daqueles que em vida tanto amamos, e dando-lhes os meios de nos aliviarem e até obrigando-os a pensar em nós!

Os hereges abandonam os seus, quando a morte lhos arrebata: desde que cessam de vê-los, não se interessam mais por eles. Para os descrentes e hereges tudo se acaba nessa hora: não podem oferecer mais nada a seus mortos e, se, no momen­to da separação, não ousam julgar admi­tido no céu o companheiro que perderam, desde logo cessou tudo, só lhes restam as lágrimas!

Ah! as lágrimas são para os vivos, desa­fogam o coração, mas, sem as orações, as lágrimas de nada servem aos mortos.

Sede, pois, bendita, Santa Igreja cató­lica! Sede bendita por nos trazerdes, no meio das agitações de nossa vida material, como um eco de além-túmulo, esse grito tão tocante em sua simplicidade:

«Tende compaixão de nós, vós ao menos, ó amigos de outrora, porque a mão do Senhor se descarregou sobre nós.»

Sede bendita Santa Igreja católica, por nos dardes os meios de sermos úteis àque­les que Deus chamou a si.

Se a crença no Purgatório não existisse, o coração humano, pela voz de suas mais íntimas necessidades e de seus mais nobres instintos, o inventaria, fosse embora só para suavizar a morte e para fazer a luz na tristeza e no crepe dos funerais. Antigamente, em algumas comunidades religiosas, deixava-se desocupado na capela e no refeitório, durante quarenta

dias, o lugar de um irmão que falecia: na capela faziam-se-lhe as saudações do cos­tume, como se ele fôra presente; dava-se-lhe o ósculo de paz, e se dizia em sua di­reção o requiescant in pace do ofício coral.

No refeitório serviam-lhe sua ração diária e, todos os dias, acabada a refeição comum, vinha um pobre comê-la de joe­lhos, orando pelo finado.

Nós desejamos também, durante este mês, convidar-vos para o nosso lar, ó mortos queridos ! queremos ocupar-nos de vós, orar convosco, trabalhar convosco!

Daremos igualmente aos pobres, pelo repouso de vossa alma, a parte que vos tocaria em nosso labor cotidiano.

DIA 2

Lembrança dos mortos

“Não esqueçais vossos mortos, vós a quem eles tanto amaram!” Vi estas pala­vras gravadas, na porta de um cemitério, aos pés de um crucifixo, e me desperta­ram uma série de pensamentos de tristeza, de confusão e de remorso !

Não esqueçais vossos mortos, que tanto vos amaram! Estas palavras se deveriam escrever, não só na porta do cemitério em que repousam seus corpos, aguardando a ressurreição, mas ainda em cada um dos móveis que temos ao redor de nós e que deles recebemos.

Neste aposento. — Não foi ele, esse fi­nado talvez já esquecido, esse pai que queria tanto; não foi ele quem o dispôs tal qual está proporcionando-nos tantas comodidades?

— Não- foi nesse leito que ele exalou o último suspiro, que nos disse o derra­deiro adeus e que nos deu a sua ultima benção?

Nestes moveis. — Não foi essa mãe, de quem talvez já não nos lembrávamos, quem os comprou para nós? Evoquemos nossas recordações: foi para a festa de nosso dia de anos: ela fizera economias, conde­nara-se a privações para nos adquirir esses objetos, porque uma vez lhe manifestamos vagamente o desejo de possuí-los.

Nesta cadeira. — Não é a que ela ocu­pou em seus últimos dias, donde tanto nos acariciava? Esse lugar junto à mesa não era o seu?

Neste oratório. — Não era aquela boa irmã, menina tão piedosa, quem o ornava? Nós vínhamos rezar ali com ela e, cha­mados por ela, vínhamos todos, pai, mãe, os irmãos pequenos… e agora, está aban­donado talvez… como a lembrança da­quela que já não pode mais orar conosco.

Neste crucifixo que guardamos como uma relíquia, — Não recebeu ele os ósculos derradeiros de um pai, de uma mãe, de um filho?

Ó meus mortos mui queridos, com que dita eu acolho estas recordações que me comovem, consolando-me? com que pra­zer eu vos revejo em espírito e peço a Deus vosso alívio, vossa paz, vosso re­pouso eterno!

Se o tivésseis querido, Senhor, estes se­res tão amados, viveriam ainda e estariam junto a nós!

Eu me resignei à vossa santa vontade: aceitai em atenção a esta resignação dolorosa, mas submissa, recebei as ora­ções que por eles faço hoje e quero fazer todos os dias deste mês.

DIA 3

Lembrança dos mortos

A lembrança dos mortos é um encanto para o coração.

Uma animação para o trabalho.

Um conforto para as horas do cansaço.

Um freio para o ímpeto das paixões.

Quantas vezes, vendo um órfão crescer e desenvolver-se na inteligência e no co­ração, dizem os amigos da família: Oh! se os pais o vissem, como se julgariam felizes !

Quantas vezes, também nós temos dito nessas horas em que, aflitos, não encon­tramos um coração que se nos abrisse e com o qual desafogássemos: ah! se mi­nha mãe aqui estivesse, eu não sofreria tanto! se meu irmão, se minha irmã, se meu amigo vivesse, não estaria agora abandonado!

Qual de nós se não surpreendeu já num desses momentos de angústias que atravessam toda a existência humana, ex­clamando: Meu pai! minha mãe!

Até em nossas alegrias, em nossos triunfos, acaso não ternos repetido às vezes: Se minha mãe me visse, que prazer teria!

Recordações tão caras, embora tão dolo­rosas, vós rejuvenesceis minha vida!

Quantas vezes, um bilhete velho de um amigo de infância, — uma carta, principal­mente de pai ou mãe, demonstrando-nos sua afeição, dando um conselho, fazendo uma advertência, — carta deparada por acaso no fundo de uma gaveta, levou-nos de novo a esses dias passados em que vivemos todos juntos, trabalhando e so­frendo unidos, e ajudando-nos uns aos outros! E essas recordações nos des­pertaram também a de que não fomos sempre bastante indulgentes, bastante obe­dientes e amantes: e pusemo-nos a cor­rigir os erros.

Oh! não será estéril a lembrança de hoje! Meu pai, minha mãe, vou reler vossas cartas, escutar vossas advertências, e a satisfação que não vos dei, quando estáveis a meu lado, vós a tereis agora.

Conta-se de uma mãe que, na idade em que a filho começava a compreender e sentir, o levou em frente ao retrato do pai e lhe disse: Jura que te esforçarás para ser digno dele!

O menino jurou, e, por vezes, se detinha ante o retrato que parecia olhá-lo, e assim o interpelava: Meu pai, está contente comigo?

Eis a minha promessa de hoje: Sim, eu me farei digno de vós, ó meus mortos muito amados! Vós me haveis de ver fiel a Deus, fiel a meus deveres, fiel aos vossos exemplos.

DIA 4

Relações com os mortos

Se a lembrança dos mortos é tão grata, se tem tanta força para nos determinar a fazer o bem, que será o pensamento ín­timo de nossas relações de cada instante com eles?

A doutrina católica oferece a perspe­ctiva mais consoladora sobre essa estreita e afetuosa comunicação das almas dos escolhidos, que começa além-túmulo e prossegue na bem aventurança eterna.

O ensino da Igreja nos permite crer que nossos defuntos não estão ausentes, mas apenas velados e sempre junto a nós.

Ah! o pai, a mãe, o filho, o amigo a quem eu prezava, não era somente aquele Corpo que se via e se tocava, mas tam­bém aquela alma a quem Deus havia con­cedido toda a afeição que me mostrava e que eu lhe retribuía. Aquela alma já não se manifesta mais exteriormente, porém ainda me faz sentir sua presença.

Falem a respeito aqueles a quem Deus outorgou a graça de compreender o que essa comunicação das Igrejas militante e

purgante encerra de consolador e suave! «Aquele a quem choramos, escrevia Fenelon, não se ausentou de nós, fazendo-se invisível. Ele nos vê, ele nos quer, ele se compadece de nossas necessidades. Os sentidos e a imaginação só é que perderam seu objeto. Aquele que já não podemos ver, está mais do que antes co­nosco. Encontrá-los-emos sempre no meio de nós, olhando-nos e oferecendo-nos os verdadeiros socorros. Não- sofrendo mais suas enfermidades, melhor do que nós conhece ele as nossas, e pede os remédios que nos dão cura. Embora privado de vê-lo há muitos anos, eu lhe falo, abro-lhe meu coração, tenho a crença de en­contrá-lo na presença de Deus; e, con­quanto já o tenha chorado amargamente, não posso dizer que o perdi. Oh! quanto é real esta união íntima!»

«A morte, diz S. Bernardo, não separa dois corações unidos pela piedade.»

«As almas dos justos não nos deixam. Se quisermos, elas se conservarão conosco e nos farão experimentar um bem estar indefinível, mas real. Invoquemo-las frequentemente com as nossas preces, com as nossas aspirações, e com as boas obras que lhes fizeram e também a nós farão ganhar o Céu.» (Gergerès)

Eu posso, portanto, associar-vos a meus trabalhos, a minhas orações, a minhas ale­grias, a minhas tristezas, ó meus queridos finados! Que bem me faz este pensamento!

DIA 5

Relações com os mortos

Ocupemo-nos ainda hoje das relações íntimas que há entre nossa alma e as almas dos nossos mortos. «Nada mais triste, escreve Ozanam, na­da mais desolador do que o vácuo aberto pela morte ao redor de nós. Eu conheci esse tormento depois da morte de minha mãe, porém durou pouco. Não tardaram a vir outros momentos em que entrei a compreender que não estava só, em que alguma coisa de suavidade infinita se pas­sou dentro de mim: era como uma con­fiança de que não me haviam abandonado, era como uma vizinhança benfazeja, em­bora invisível; era como se uma alma estremecida, de passagem, me acariciasse com a ponte de suas asas.

E, assim como outrora eu reconhecia os passos, a voz, a respiração de minha mãe; assim quando um bafejo aquecia ou reanimava minhas forças, — quando uma ideia nobre preponderava era meu espírito — quando um impulso generoso abalava minha vontade, logo me vinha o pensa­mento de que partia dela.

Já se passaram dois anos, correu o tempo que dissipa todas as ilusões da imaginação perturbada, e experimento sempre a mesma coisa.

Quando pratico o bem, quando faço qualquer coisa pelos pobres, a quem mi­nha mãe acudia tanto, quando estou em paz com Deus que ela servia bem, afigura-se-me que ela me sorri de longe.

Às vezes, ao rezar, julgo ouvir sua oração acompanhando a minha, como fazíamos juntos, à noite, aos pés do crucifixo. Finalmente, quando tenho a felicidade de comungar, quando o Salvador vem me visitar, parece-me que ela o segue a meu mísero coração, como tantas vezes seguia, levado em Viático, às casas dos indigentes».

Todo o coração amante e piedoso há de experimentar mais ou menos o que experimentava Ozanam, mas isto só acontece ao que tiver sido realmente piedoso, ao que amar sinceramente a Deus, ao que houver sido bom e dedicado enquanto vi­veram aqueles a quem chora!

Só esse poderá dizer o que S. Jerônimo diz de Santa Paula: Nós a possuímos ainda conosco… Aquele que volta ao Senhor continua a fazer parte da família.

DIA 6

A depositária das recordações

Não é grata ao coração dos mortos, não é consoladora essa reconstituição, pelo pensamento, da família, que a morte dis­persou.

Mãe! esse filho que morreu em teus braços, a esta hora é o amigo, o irmão o companheiro de teu anjo da guarda perto de ti, a teu lado talvez; ele te diz baixinho: Não chores, mãe, eu sou feliz!

Filho! tua mãe, teu pai, mortos na paz do Senhor, são como outrora, embora de um modo invisível, teu guia, teu conse­lheiro, teu defensor!

Amigos, irmãos, esposos! aquele que o bom Deus chamou a si, não cessa de vos amar: mais puro com a expiação do pur­gatório, mais amante pela sua união com Deus, no Céu ele será para convosco tudo o que era na terra, e ainda mais clara e poderosamente!

Nutri-vos destas ideias, pobres almas aflitas; os sentimentos que elas desper­tarem suavizarão a amargura de vossa dor. Se tais sentimentos perseverarem, se fi­zerem permanência em vossa vida, oh! como os dias vos correrão tranquilos! Mas, ah! o sentimento é de sua natureza passageiro: tanto mais impressionável quanto mais delicado, o coração também vê apagarem-se, pouco a pouco, suas im­pressões substituídas por outras. Os ves­tidos do luto ficam durante algum tempo a avivar nossas recordações queridas, mas esses vestidos se deixam, e com eles aliviam-se primeiro e depois desaparecem também as lembranças.

Pobre natureza humana! a Igreja bem o conhece, e, não querendo que nos tor­nemos esquecidos, constituiu-se, em nome de Deus, a depositaria das recordações de nossos mortos.

Vejamos o que ela fez.

Consagrou um dia inteiro todos os anos, à oração pelos finados. Nesse dia, reveste-se de todas as suas pompas fúne­bres e nos conduz todos ao cemitério a olhar mais uma vez o túmulo dos nossos mortos.

Quis que um dia de cada semana, a segunda-feira — fosse especialmente con­sagrado a sufragar os falecidos, e, em muitas Ordens religiosas, junta-se nesse dia ao Ofício canônico — o dos mortos.

Dispôs que no fim de cada Ofício, isto é, sete vezes por dia, todos os sacerdotes e religiosos tivessem uma lembrança em favor dos mortos e rogassem a Deus para eles o descanso e a paz.

Instituiu aniversários, a fim de que as famílias viessem regularmente, todos os anos, ajoelhar-se ao pé do altar para pe­dir de um modo particular por seus de­funtos.

Determinou que todas as manhãs, no santo sacrifício da Missa, houvesse uma recomendação e um memento especial pelos mortos.

Concedeu indulgências particulares às orações pelos defuntos, e permitiu que se aplique em favor deles grande número de indulgências ganhas por orações e boas obras.

Aprova, sustenta e acoroçoa[‡] a funda­ção das confrarias consagradas ao cuida­do dos mortos.

Vós que praticais o culto dos mortos, amai a Igreja que tem a missão de con­servá-lo em vossos corações!

Aquele que não vai mais à Igreja, esquece depressa os mortos!

DIA 7

Consolação

Serve a todos a página seguinte, em­bora escrita expressamente para a con­solação de um só.

Todos aqueles que amavam e a quem a morte arrebatou o objeto do seu amor, todos carecem das mesmas palavras que levantam o espírito e que o tranquilizam.

«Não podeis habituar-vos à idéia de não achar mais em parte alguma, sobre a terra, o ente a quem parecia ligada vossa vida. É dolorosa, muito dolorosa a separação que vos feriu, mas lembrai-vos de que nossos laços só se quebram na aparên­cia… Deus, que os formou na terra, trans­porta aos Céus aqueles a quem prezamos, para nos forçar a erguer os olhos até sua mansão eterna.

A vista do cristão fixa o outro mundo, mas o olhar do coração encontra um vá­cuo desolador. Vós, principalmente, que podeis esperar a salvação de vossa irmã, não lastimeis sua sorte que é a convi­vência com os anjos. a vida piedosa, a morte edificante que teve, fazem crer que sua alma está gozando de uma felicidade que vós não podeis prometer-lhe nem dar-lhe. Dizei antes, pensando em sua au­sência: Nós nos tornaremos a ver bem cedo, e então nada mais nos há de se­parar!

Penetremos nos intuitos divinos: Deus nos fere quando quer, e no ponto mais Sensível. É só a fé que nos dá forças para estes sacrifícios naturalmente impos­síveis. Um cristão não pode afligir-se como quem não tem a esperança! Falai pouco aos homens e muito a Deus sobre a vossa tristeza. Eis o segredo da resigna­ção.

Não esqueçais de que devemos: sempre amar a Deus que é bom, até mesmo quando nos envia a tribulação. Estranhareis acaso que ele tenha recompensada aquela que lhe fez tão generoso sacrifício de sua mocidade, de sua beleza, de sua fortuna e de sua vida?

Lembrai-vos do momento solene em que o sacerdote; sem abaixar a voz, disse-lhe: «Sai, alma cristã, sai deste mundo!» Como respondeu ela com um sorriso an­gélico: «Sim, meu Deus, já, se o quiserdes!»

Ela estava, portanto, preparada para esta viagem eterna !

Ela morreu como morrem os santos. Voou para o lugar de felicidade em que a esperava, para coroá-la, o Deus a quem tanto amou. Olhai para o Céu, e esse olhar fortalecerá o vosso coração dilacerado. Aproximai-vos do sagrado Tabernáculo. Que coisa melhor poderia fazer um coração aflito que, a todo momento se apega às criaturas! Sofrei junto de Jesus Cristo: sofrereis amando.

O amor suaviza tudo e nos consola de sobrevivermos àqueles que queríamos mais do que a nós mesmos».

DIA 8

Consolação

Nosso Senhor Jesus Cristo quis para nossa consolação experimentar as amarguras que causa ao coração humano a perda daqueles a quem ama.

«Lázaro era apenas seu amigo, diz Mon­senhor Segur; Jesus ia cientemente res­suscitá-lo, e, todavia, quis chorar, quis sofrer, para santificar as dolorosas emo­ções da separação.

A morte dos que nos são intimamente caros é, pode-se dizer, a dor das dores».

«Vedes este esquife? dizia-me um dia um pobre operário que seguia, soluçando, o préstito de seu filho único: é minha vida que se vai!»

Para essas torturas, para tais dores que, com toda a verdade, se tem chamado uma dor louca, só há uma consolação: a que Vós dispensais, ó meu Deus! Perto de Vós, sob vossa mão paternal, que fere e que cura, o pobre coração recobra a paz, a própria felicidade, não a da terra, mas a do Céu: a felicidade da terra cessou para ele.

Escutemos algumas palavras, eco aben­çoado de um coração partido, mas de um coração ditoso dessa ventura celeste.

«Haveis de vos considerar muito in­feliz», dizia-se uma mãe verdadeiramente cristã que acabava de perder sua filha.

— «Infeliz? respondeu ela brandamente, oh! não! eu sofro muito, mas sei que minha filha está com Deus».

«Meu coração está traspassado, dizia um pai a quem falavam da morte de seu filho, o único arrimo de sua velhice. Mas, eu sinto ainda assim uma certa alegria no fundo d’alma: Meu filho está salvo! Sabeis o que ele era para comigo, sabeis quanto eu o queria e ele a mim. Pois bem, se o bom Deus me propusesse restituir-mo, eu não o aceitaria. Meu filho está salvo, salvo por toda a eternidade! Tudo mais não é nada!»

«Eis que vosso filho está a seguro e possui a salvação eterna! escrevia a uma mãe S. Francisco de Sales. Ei-lo escapo e garantido contra toda a perdição!… Foi para proteger vosso filho que Deus o le­vou tão cedo… Oh! quanto ele há de estar contente e agradecido pelo cuidado que dele tivestes enquanto se achava a vosso cargo, e principalmente pelas devo­ções que praticais em seu beneficio! Em compensação, roga ele a Deus por vós e faz mil votos por vossa vida, para que ela seja cada vez mais conforme à vonta­de divina e assim possais ganhar o Céu de que ele goza. Ficai, portanto, em paz e erguei bem o vosso coração ao Céu on­de contais com esse bom santinho.»

Ei-las, as palavras de verdadeira conso­lação: Aquele que eu choro está no Céu, está ao abrigo das misérias… e me es­pera!

DIA 9

Felicidade de ser util aos mortos

«Oh, se tudo estivesse acabado para sempre, se eu não pudesse me ocupar mais dele, se não tivesse mais o prazer, não digo só, de torná-lo a ver no Céu, mas de lhe ser ainda útil durante o resto de minha vida, como seria isto cruel!» dizia uma pobre mãe junto ao corpo inanimado de seu filho.

Deveria ser muito doloroso, sim; mas consolai-vos, pobres filhos, vós podereis ainda ser úteis àqueles que a morte vos roubou, podeis ajudá-los a mais depressa ganhar o Céu! A Igreja compreendeu essa necessidade de vosso coração e deu ali­mento a vosso amor.

A morte separa: parte os laços mate­riais que nos prendiam uns aos outros; não dissolve os laços imateriais que liga­vam uma alma a outra alma, um coração a outro coração.

Está longe, não está perdido: é o grito da alma cristã, e assim, um pai, uma mãe, um filho podem sempre ocupar-se daque­les que amavam, quando os possuíam con­sigo, e que ainda prezam, mesmo sem os verem.

Os atos de dedicação, de que foram cheios os vossos dias e que tinham por objeto fazê-los felizes, podeis praticá-los ainda, e, oferecendo-os a Deus pelo re­pouso dessas almas, vós continuareis a trabalhar em sua felicidade.

O trabalho material que fazíeis por eles podeis prossegui-lo ainda em sua intenção, e o fruto lhes será aplicado pela miseri­córdia divina.

As riquezas que acumuláveis para eles, podeis juntá-las ainda, e o que em seu nome distribuirdes aos pobres, lhes há de ser comunicado por Deus de um modo muito mais útil do que vós mesmos o teríeis feito.

«Conheci, diz o Visconde Walsh, um lu­terano que, por amor de nossa crença no Purgatório, se fez católico.

Perdera um irmão querido no meio de um banquete e lembrava-se a cada instan­te, dessa passagem tão brusca de uma or­gia para o fundo de um féretro.

Ah! disse-me ele num dia de finados, por causa de meu irmão vou me fazer ca­tólico… Quando me for permitido rezar por meu irmão, então respirarei, viverei para pedir todos os dias o Céu para aquele a quem tanto estimei na terra. Vossa Igreja faz que os seres que se prezam possam ajudar-se mutuamente ainda depois da mor­te. Vossas orações tiram ao sepulcro sua mudez pavorosa, Vós conversais ainda com os que já partiram desta vida; conhecestes a fraqueza humana, essa fraqueza que não é crime, mas ainda menos é a pureza; e, entre os limites do Céu e do inferno, Deus vos revelou um lugar de expiação, o Pur­gatório.

Meu irmão está aí, talvez: eu me faço católico para libertá-lo dessa prisão para me consolar neste inundo, para me aliviar deste peso que me oprime, peso que eu não sentirei mais, quando me for dado orar.»

DIA 10

Esperança

Um pensamento sombrio vem, talvez, lançar o terror na alma à hora em que evo­ca a lembrança de seus mortos.

«Ah! diz ela, eu me tranquilizaria, fica­ria em paz e me julgaria feliz, se pudesse contá-lo no Céu, se houvesse falecido cer­cado das preces da Igreja e purificado pe­los últimos sacramentos, Mas ah! morreu de repente, morreu longe do bom Deus a quem tinha esquecido em sua vida inteira!»

Pobre coração aflito, eu vos responderei a isto com as palavras que a Igreja me au­toriza a dizer-vos:

A Igreja não condena definitivamente a ninguém. Baixa decretos para declarações de que uma alma está no Céu e assim po­de ter culto, mas nunca expede nenhum, publicando que uma alma esteja no inferno.

São Francisco de Sales não queria que se desesperasse nunca da conversão dos pecadores até seu último suspiro, e, ainda depois de mortos, não admitia que se jul­gasse mal mesmo dos que tinham levado uma vida irregular, a não ser daqueles cuja condenação consta da Escritura. Alegava como razão disso que nem a primeira gra­ça nem a derradeira, que é a perseverança, se dá por mérito, isto é, ambas são de todo gratuitas. Entendia, portanto, que se devia presumir sempre bem da pessoa que ex­pirava, ainda não sendo sua morte edifi­cante, porque todas as nossas conjecturas só se podem firmar sobre as aparências, e essas, muitas vezes, iludem ainda os mais experientes.

«Entre o último suspiro do moribundo e a eternidade, há um abismo de miseri­córdia, » disse um bispo ilustre. — Passam- se entre Deus e a alma certos mistérios de amor que nós só conheceremos no Céu.

Que precisa este agonizante para obter o perdão? Uma luz que lhe mostre a jus­tiça e a misericórdia divinas; uma luz, ainda rápida como um relâmpago; essa luz pode produzir um sentimento de con­trição e de amor, este sentimento basta para lhe fechar o inferno e abrir o Pur­gatório.

Esta luz é Jesus, apresentando-se àquela alma e dizendo-lhe com um olhar ligeiro como o pensamento: É a mim ou ao demônio que tu queres? e a alma dizendo com a mesma rapidez: A vós, a vós, Se­nhor! e a misericórdia triunfa! Esperai pois, esperai sempre; dirigi vossas pre­ces constantes por esses mortos que vos fazem estar inquietos: ninguém pode cal­cular até que ponto essas preces podem ser atendidas.

DIA 11

Esperança

Ainda algumas palavras de esperança sobre as almas de nossos mortos. Fala o padre Bougaud em sua obra: O Cristia­nismo e os tempos presentes.

«Quem poderá narrar as misericórdias de Deus no leito de morte de seus filhos? Aí nessas sombras confusas da hora ul­tima, em que o olhar do homem nada mais distingue, quem pode saber o que se passa entre Deus e uma alma? Quando o espí­rito paira nos lábios como um ligeiro so­pro, já não mais da terra, nem ainda do Céu: no momento: em que Deus se inclina para recolher essa alma, quem poderá di­zer o que se passa? Uma mãe repeliria seu filho, ainda mesmo sendo um ingra­to? não tentará ela por todos os meios trazê-lo de novo a si? Não irá sempre ao seu encontro, até o fim? não esgotará todos os recursos para salvá-lo, a despeito de toda a obstinação dele em fugir-lhe? Ora, Deus é mais do que a mãe.

Vede o que fez Ele para tornar impossível a perda das almas! Não lhe bastou haver-nos envolvido nessa graça que nos previne, nos segue e nos banha como uma atmosfera. Foi pouco ter estabelecido sete sacramentos, isto é, sete rios de luz e de força que inundam a vida inteira e cada um de seus períodos, como tudo isso não satisfazia ainda seu coração de pai, vede e adorai a maravilhosa invenção de seu amor.

Estais enfermo: já sentis que sobre vós estende a morte suas negras asas. Acodem-vos à memória vossos pecados, vossas fraquezas, aquele ato do qual vos disse a consciência: Isto, incontestavelmente, é um mal. O sacerdote não chega a tempo de recolher vossa confissão, oferecê-la a Deus e vos perdoar em seu nome: que fazer? Vós tendes um coração: arrancai dele um alento, um grito, uma lágrima, uma palavra de arrependimento, um ato de amor, um só! sereis logo absolvido: ficais purificado e perdoado.

Aquele homem, prestes a morrer, ainda há pouco blasfemava; o sacerdote veio, ele o repeliu: apresentaram-lhe o Crucifixo, ele o afastou com a mão. Foi seu derra­deiro movimento; seu último ato. Os socor­ros da religião não poderão chegar mais até sua alma já profundamente mergulha­da nas sombras da morte. Mas resta-lhe o coração, e, para ser salvo, perdoado, que será preciso? Um simples ato de amor, um só desejo, um só pesar, uma só pala­vra: Meu Deus, eu vos amo!

Homens cegos, que chorais de deses­pero em redor desse leito! talvez à mesma hora os anjos conduzam essa alma com gritos de alegria.

Ela salvou-se com esse ato de amor.

O Purgatório a recebeu.

Esse homem que acaba de suicidar-se, cometeu um crime sinistro. A Igreja afas­ta-se com horror de seus restos mutilados, e faz bem. Mas ensinará ela que o mísero esteja perdido sem recurso? Não, absolu­tamente ; pois quem sabe o que fez este alma no momento em que, lacerada, partiu desse mundo? Quem sabe o que ela viu ao clarão do tiro de morte? que revelação teve ao disparar a arma fatal? Teve muito pouco tempo! direis vós. Ah! que impor­ta? Uma palavra, um grito, um olhar, um transporte de amor a Deus, basta para que ela saia deste mundo purificada.»

DIA 12

Esperança

«Oh! como desconhecemos nós o coração de Deus! quando o homem está pres­tes a morrer, o homem que ele criou por suas mãos, sobre quem velou com ternura (durante a vida, a quem seguiu passo a passo, a quem tocou e iluminou para chamá-lo a si e que não atendeu a nada disto; quando está à morte, Deus se pre­para para dar-lhe o derradeiro combate, o combate do amor, o combate supremo de uma mãe que, vendo o filho quase arre­batado, fica louca, terrível, chega ao paroxismo da indignação e do amor. Desce, por isso, esse Deus de bondade; inclina-se esse pai inquieto, para o leito de dor em que vai morrer um de seus filhos.

Apela para tudo o que havia já empre­gado com o fim de o vencer, luzes, graças, ternuras, benefícios: Eu vo-los dei às mãos cheias, tê-los-eis sem medida!

Se o enfermo rende-se aos primeiros as­saltos, vê-se o triunfo, e a religião ganha a conversão de um pecador. Mas, se o homem resiste e, antes de ter cedido, cai nas sombras que precedem a morte, nem por isso termina o combate. Ao contrario, redobra de esforço, e a vitória pode ainda ser de Deus, mesmo quando não há mais para os homens nenhum meio de o saber. Quando os olhos do enfermo ficam turba­dos; quando as extremidades ficam frias; quando para verificar se ainda vive precisa-se pôr a mão sobre seu coração: se a mão do homem fosse mais sensível, sentiria a luta que continua, a luta suprema. Trata-se de obter uma palavra, nada mais do que uma simples palavra, um alento, um leve movimento! Deus trabalha para isso com a obstinação do amor: e quem não com­preende que Deus, lutador hábil, há de consegui-lo muitas vezes?

Vós dir-me-eis: Que é que sabeis, ao certo, em tudo isso? onde encontrastes a história dessa luta? Respondo: Achei-a em vosso coração. Sois pai? sois mãe? O que eu digo, não o faríeis vós?

Então, o coração de Deus não velará o vosso?! tereis vós a gloria de fazer por vossos filhos mais do que Deus pelos seus? Impossível. É assim, ó religião di­vina, que não há dor alguma sem conso­lação: tu as refrigeras todas na esperança.»

« Minha luz divina, — dizia Nosso Senhor a Santa Gertrudes, que lhe pedia graças para um pobre pecador falecido sem sa­cramentos,—minha divina luz que pene­tra no futuro, manifestando-me que vós faríeis por ele esta oração, eu lhe des­pertei no coração boas disposições que o preparassem a gozar os efeitos da vossa caridade.»

Palavras de consolação! diz o padre Blot: Na previsão de nossas orações futu­ras, Deus se digna conceder ao pecador moribundo boas disposições que assegu­rem a salvação de sua alma!

Sim, palavras consoladoras, bem pró­prias para nutrir a esperança em nossa alma.

SOFRIMENTO DAS ALMAS DO PURGATÓRIO

DIA 13

1º sofrimento — Pena dos sentidos

Ó meus caros mortos, se para meu coração toda a pena fosse a da separação, seria cruel, por certo; mas o pensamento de comunicar convosco pela oração, e ainda mais a ideia de vos tornar a ver no Céu, e de vos tornar a ver mais santos e mais amantes, aliviaria esta dor; mas, ah! este mesmo pensamento que me dá a es­perança de vos tornar a ver, leva-me a contemplar-vos nas chamas do Purgatório, sofrendo e consternados.

Não escutarei a imaginação, que poderia levar-me além da realidade; quero ouvir os santos, e o que me dizem eles acerca do que vós sofreis, é bastante para excitar a minha compaixão, e obrigar-me a so­correr-vos.

«Reuni, diz Santa Catarina de Gênova, todas as penas que os homens têm sofri­do, sofrem e sofrerão, desde o principio do mundo até o fim dos tempos; juntai todos os tormentos que os tiranos e os algozes têm feito sofrer aos mártires; será uma pálida imagem dos tormentos do Purgatório; e, se às pobres encarceradas fosse permitida a escolha, prefeririam aqueles suplícios durante mil anos a fica­rem no Purgatório mais um dia; porque, diz S. Tomás, o fogo que os envolve é o mesmo que atormenta os condenados no inferno, e esse fogo, oh, é terrível!»

Deus, escolhendo o fogo, soube achar um reparador digno de sua justiça!

Não há dor, dizem os que têm estudado a natureza desse elemento, que iguale a que ele causa.

Não objeteis que o corpo não está no Purgatório: a dor, diz S. Tomás, não é o golpe que se recebe, mas a sensação dolorosa desse golpe. Quanto mais delicadeza há nessa sensação, mais viva é a dor, e a alma, ainda sendo ferida, ela so­zinha experimenta ao mesmo tempo a aflição que lhe fariam sofrer todos os membros do corpo atacados separada­mente.

Esse fogo do Purgatório, cuja natureza não conhecemos, dotado por Deus de uma espécie de inteligência para esmerilhar nos recessos da alma e consumir todas as manchas que lhe deixou o pecado, obra

ao mesmo tempo sobre a imaginação e a memória, sobre o juízo e a vontade…

Não aprofundemos mais este ponto; po­rém, fixando a atenção, escutemos o grito pungente que, do fundo desse abismo de fogo, vem até nós: Eu sofro, sofro muito no meio destas chamas: uma gota d’água! uma prece, por piedade!

DIA 14

sofrimento — Pena do dano

A pena mais terrível do Purgatório é certamente a pena do dano, isto é, a se­paração forçada de Deus ou uma força irresistível que a cada instante afasta brus­camente de Deus a alma que a todo mo­mento; por instinto de sua natureza, corre a se unir com ele.

Pode-se fazer uma ideia dela pelo su­plício de uma mãe que, chamada pelo filho prestes a ser devorado por uma fera, fosse retida por uma força invencível no momento em que se precipitasse em seu socorro, e isso não uma só vez, porém dez, cem vezes.

Há neste suplício, dizem os santos, uma angústia mais sensível, de certo modo, que a do inferno. Os míseros condenados não amam a Deus, seu desejo insaciável e sem­pre renascente é ver a Deus aniquilado.

Mas as santas almas do Purgatório amam ao Senhor, amam-no tanto quanto o conhe­cem, e porque o viram, compreenderam o amor que lhes tem, sentem quanto há sido bom para com elas, sabem quanto serão felizes perto dele e em sua união… e, todavia, estão detidas longe dele! nada podem, nada, para se lhe aproximarem! É uma sede sem fim, a qual nada é capaz de imitar. É uma fome sem limites, que não há nada que possa fartar: É um peso enorme que abafa, e do qual não é possí­vel desembaraçar-se.

Santa Teresa experimentou alguma coisa destas angustias misteriosas:

«Em vão, diz ela, tentaria eu explicar sua natureza. A alma, por vezes, sente um desejo irresistível de Deus que parece transportá-la a um deserto onde ela nada mais vê para poder descansar. Nenhuma consolação, nem do Céu, onde ainda não está, nem da terra a que já não pertence.»

«Ó Jesus, exclama a santa, quem po­deria fazer uma pintura fiel desse estado? É um martírio que a natureza custa a suportar; os ossos se separam e ficam como deslocados, as mãos tomam tal ri­gidez que se não podem juntar, e, até o seguinte dia, sente-se uma dor tão vio­lenta, como se todo o corpo estivesse desconjuntado; um só desejo nos consome: morrer! morrer! ir a Deus! — Esse esta­do, conclui a santa, é o das almas do Purgatório.»

Oh! vós que amastes tanto na terra e que tanto sofrestes com a morte daqueles que amáveis, vós a quem a separação ain­da tortura, escutai, escutai o grito dessas almas que chamam a Deus e que no® di­zem : Vós no-lo podeis dar, oh dai-nos nosso Deus! fazei-nos dignos dele!

DIA 15

3º sofrimento — Impotência de se acudirem a si próprias

O estado das almas do Purgatório, diz o Pe. Faber, é a impotência absoluta.

Não podem nem fazer penitência, nem merecer, nem satisfazer, nem ganhar uma indulgência, nem receber os sacramentos. Alguns teólogos asseguram que elas não podem nem orar por si. Estão mergulha­das nessa noite profunda de que fala S. João, durante a qual ninguém pode mais trabalhar.

Foram lançadas, nessas trevas exterio­res, em que só há lágrimas e gemidos.

Parecem-se com esse paralítico estendido à beira da fonte de Siloé, que não pôde fazer o menor movimento para ter um alívio… e ainda o paralítico podia chamar em seu socorro e tinha a esperança de ser ouvido. Mas, vós, pobres almas do Purgatório, vossa triste voz não pode chegar até nós sem uma permissão especial de Deus… e quando chega, por­ventura é sempre ouvida?

Elas veem na terra uma infinidade de graças, das quais uma só as aliviaria, as libertaria talvez, e não podem se aprovei­tar delas para si. É o suplício contínuo do faminto preso à pouca distância de uma mesa lauta, para a qual se dirige sem nunca chegar a alcançá-la. Na terra, quan­tas orações se dizem, quantas comunhões se fazem, quantas missas se celebram, quantas indulgências se ganham! Filhos pródigos, expiando sua fuga da casa pa­terna, dizem elas em pranto: Quantas ri­quezas na casa de nosso pai! e nós aqui transidas de fome!

Isto é talvez uma punição especial de Deus: esqueceram as almas do Purgatório enquanto viviam sobre a terra. — Deus permite que também sejam esquecidas.

Veem suas companheiras de infortúnio aliviadas, de tempos a tempos, recebendo os frutos de uma comunhão, o valor do sangue de Jesus Cristo, e elas… ficam esquecidas…

Vós que viveis na terra e que tão facil­mente vos comoveis ante o sofrimento e a ideia do abandono, ouvi as almas do Purgatório pedindo-vos uma migalha desse Pão dos Anjos que Deus vos dá com tanta abundância e generosidade, uma pequena parte de vossas orações, de vossas boas obras, de vossos sofrimentos!

DIA 16

4º sofrimento — O Conhecimento dos seus pecados

As almas no Purgatório veem as coisas de Deus diversamente de nós. Esclarecidas pela divina luz, compreendem elas o respeito, o amor, a obediência que Deus lhes merecia, e toda a felicidade, ingratidão e covardia dos pecados que cometeram.

E essa fealdade e laxidão, sempre ante seus olhos, enchem-nas de tanta vergonha, que procuram, embora inutilmente, fugir das vistas de suas companheiras de tor­mento.

Essa ingratidão, sempre patente, opri­me-as de tantos remorsos, que seu coração se confrange a cada instante e sente a necessidade de sofrer para expiar tanta falta de amor.

Podem comparar-se, diz um piedoso bispo, com um homem que, no .meio de um calor insuportável, é envolto, comprimido, esmagado por um manto, cujo peso o ani­quila e que está como soldado a todos os seus membros.

E sob esse manto estão encerrados, como em sua morada natural, vermes que se nutrem da carne desse homem e o atormentam, mordendo-o, sem que possa expeli-los.

E esse manto está roto, sujo, repugnan­te, e o infeliz é obrigado a estar com ele em presença do Ser mais santo e mais puro, que o vê e, vendo-o assim, há de experimentar um sentimento de repulsão. Que estado esse! que dor, que vergonha!

É o estado permanente, o sofrimento contínuo, a vergonha das almas do Pur­gatório à recordação de suas faltas e em presença dos anjos e do próprio Deus.

A esta vergonha vem se unir o pensa­mento de que teriam podido facilmente evitar as faltas que as fazem sofrer!

Ah! dizem elas, se eu tivesse obedecido ao meu Deus naquela ocasião em que me custava tão pouco; — se eu não lhe hou­vesse recusado um sacrifício que era bem leve! — se eu não proferisse aquela pala­vra que minha consciência reprovava; — se eu não me tivesse descuidado de ganhar aquela indulgência tão fácil… não me veria como me vejo neste momento! não sofreria o que sofro!

Tardio arrependimento! as lágrimas não purificam mais, quando se tem deixado passar o tempo da misericórdia!

Ó almas queridas, possam ao menos as vossas dores servir-nos de lição!

DIA 17

5º sofrimento — O olvido em que caem

Ver-se esquecido na terra, esquecido por aqueles a quem se amou e que nos amaram, é uma dor pungente para o coração — mas ver-se esquecido, quando, se está no Purgatório, quando o coração é mais sensível e nada de exterior o distrai dessa ideia, deve ser um golpe ainda mais cruel.

Oh! como são justas as queixas que um Religioso ouviu desses pobres corações abandonados!

«Ó irmãos! ó irmãos! ó amigos! pois que há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; vos chamamos, e não respondeis; sofremos tormentos que não têm iguais, e não vos compadeceis; gememos, e não nos consolais!

Ai de nós! todos os que amámos na terra com toda nossa afeição, nos aban­donaram; choramos no meio desta noite escura, e não há quem nos console.

Ah! tudo se acabou, acabou-se para sempre! esqueceram-me e já nem mais uma lembrança me prende à terra!…

Em toda a parte está o esquecimento: sobre minha vida inteira que nenhuma palavra lembra mais, sobre meu nome que já ninguém pronuncia, sobre meu túmulo que ninguém visita, sobre minha morte que não há mais quem chore; na terra só tenho o esquecimento em todos e em tudo!

A despeito dos adeuses tão sentidos, a despeito dos protestos tão afetuosos, a despeito dos juramentos tão ardentes, eis em que dá tudo entre os vivos, no total esquecimento dos mortos.

Ninguém para rezar, ninguém sequer para lembrar-se deles!…»

Ninguém?! oh! vós vos enganais, al­mas queridas! Há na terra um coração que nunca esquece, um coração a toda hora disposto a vir em socorro dos mor­tos olvidados: é o coração da Igreja ca­tólica, coração de uma mãe!

Ela pede para vós, todos os dias, o repouso, o refrigério, a luz. E nós, seus filhos, como vós: nós, vossos irmãos que tanto vos temos esquecido, queremos des­de já associar-nos a todas as suas ora­ções e todas as suas obras…

DIA 18

6º sofrimento — Incerteza do tempo a sofrer no purgatório

«Um homem, diz o padre Felix, gemia, há tempos, numa prisão célebre. Certo dia, cansado de sofrer, concebeu a ideia de livrar-se. Nessa época existia uma senhora de alto valimento que podia bastante para quebrar as algemas do preso e pôr termo a seus sofrimentos.

Eis aqui, reza a história, em que termos eloquentes o mísero lhe dirigiu sua sú­plica; «Senhora, a 25 do corrente de 1760, faz cem mil horas que eu peno, e ainda me restam duzentas mil a sofrer.» Não sei que despacho teve esta petição. O coração desta mulher teve a dureza de resistir a esta eloquência? Não sei, mas parece-me impossível dizer mais em tão poucas palavras! Há cem mil horas que sofro, tenho ainda que sofrer duzentas mil!… Há cem mil horas… Portanto, ele as tinha contado?! Sim, como vós podeis contar, uma a uma, as pancadas de um relógio durante uma noite longa e triste em que o sofrimento vos faz perder o sono. Ora, se é assim com os presos da terra, que dizer desses encarcerados do mundo invisível (o Purgatório)? Quem nos dirá o que é para esses padecentes de além mundo a passagem de seu prazo de tormento? A duração para nós não é o tempo que passa, é o que sentimos passar; e a lentidão dessa passagem cresce para os que sofrem, na proporção de sua an­gústia. É isto o que, em relação às almas do Purgatório, dá a extensão de longos dias aos minutos, a de anos inteiros aos dias, e aos anos a de séculos que parece nunca se acabarem!

Um Religioso, aparecendo, depois de morto, a um de seus Irmãos, lhe revelou que três dias passados no Purgatório lhe haviam parecido mais longos do que cente­nas de anos. Outro, havendo experimen­tado numa visão o suplício do Purgatório, desde as matinas somente até a aurora, persuadiu-se de que sofria há mais de um século. Um homem, que fazia desprezo das penas do Purgatório, viu aparecerem-lhe dois moços que rapidamente o transpor­taram a esse triste lugar; depois de um quarto de hora de sofrimento, ele já cla­mava: «Retirai-me, retirai-me, há tanto tempo que eu sofro.» Assim os encarce­rados do Purgatório, muito mais do que os presos da terra, contam essas horas in­termináveis que tanto custam a passar e que o suplício parece tornar eternas!

Se, ao menos, soubessem essas almas a hora do resgate, poderiam dizer: depois de tantos mil e mil minutos, meu suplí­cio terminará e eu subirei ao Céu! — Mas não. Sabem perfeitamente — e é tal a es­perança e o amor de Deus, vivo e ar­dente em seus corações, que, dizem os teólogos, distinguem o Purgatório do In­ferno — sabem com certeza que há de soar a hora do seu livramento; mas quando soará essa hora suspirada?

Ignoram-no, e até o momento marcado por Deus, parece-lhes ouvir cada vez que perguntam: Quando será? uma voz terrí­vel que lhes responde: Ainda não! Ainda há muito que expiar!

Este pensamento deve atuar em nós para continuarmos sempre em nossas ora­ções pelos mortos. «Eu temo, diz S. Fran­cisco de Sales, temo do bom conceito que meus amigos têm feito de mim; enten­dendo que eu já estou no Céu, sem querer me deixarão ficar no Purgatório.»

ALÍVIO ÀS ALMAS DO PURGATÓRIO

Motivos que nos determinam a socorrer às almas do Purgatório

DIA 19

Primeiro motivo: — O serviço que prestamos a Deus e a gloria que lhe proporcionamos

É verdade que nós, frágeis e míseras criaturas, podemos prestar serviço a Deus, podemos realmente lhe ser úteis? Sim, diz Bourdaloue, cuja doutrina é sempre se­gura, sim, podemos. O Purgatório é um estado de violência para o próprio Deus. Ali, vê Deus almas a quem quer com um amor sincero, terno e paternal, almas que sofrem e às quais todavia não pode Ele acudir, — almas cheias de mérito, de san­tidade, de virtude, mas a quem não pode Ele ainda remunerar, — almas que são suas escolhidas, suas esposas, e que Ele é forçado a ferir e castigar… Pois bem! nós podemos, nós, pobres criaturas, fazer cessar esse estado de violência, dando à justiça divina tudo o que ela pede…

Não me é dado compreender o que se passa no coração do Senhor, quando com as minhas orações e boas obras eu tiro uma alma do Purgatório, e essa alma, numa espécie de delírio de alegria, vai lançar-se no seio de Deus, dizendo-lhe: Meu pai! meu pai! — mas imagino o que ex­perimentaria o coração de uma mãe que, tendo conhecimento de que seu filho foi condenado à prisão por muitos anos, o visse, de repente, trazido por um amigo que o houvesse libertado. Oh que alegria! oh que amplexo! — e que reconhecimento pelo salvador desse filho.

É esta alegria, esta felicidade a que eu proporciono a Deus! é esse reconheci­mento o que obtenho em seu coração.

E, além da alegria que ocasiono a Deus, concorro também para sua gloria, essa gloria de que Deus é tão cioso. Ouçamos ainda Bourdaloue: «Nós admiramos, diz ele, esses homens apostólicos que, leva­dos pelo espírito de Deus, atravessam os mares e vão aos países bárbaros ganhar a Deus os infiéis, mas compreendeis que a devoção das almas do Purgatório para seu alivio e livramento é uma espécie de zelo que, em relação a seu objeto, não cede ao da conversão dos pagãos e até o vence de certo modo. É que, sendo as almas confirmadas na graça, hão de ser incom­paravelmente mais nobres aos olhos de

Deus que as dos pagãos elas estão, mor­mente na ocasião, num estado muito mais apto para glorificar a Deus que as dos infiéis.»

Qual de nós recusar-se-á a contribuir assim para a felicidade e glória de Deus?

DIA 20

Segundo motivo: O serviço que prestamos a nós mesmos

1º. Adquirimos um protetor certo no Céu. A alma que nossas orações tiverem libertado, contraiu para conosco, só pelo fato de seu resgate, uma estrita obriga­ção de reconhecimento; primeiro, diz o padre Faber, pela glória da qual lhe ante­cipamos a hora; depois, em razão dos horríveis sofrimentos aos quais a arran­camos; assim, é para ela um dever obter-nos incessantes graças e bênçãos. No Céu também se ama e se é reconhecido!

E não é somente essa alma que fica re­conhecida, é seu anjo da guarda também, é a Santíssima Virgem a quem essa alma era consagrada, é o próprio Jesus que a nossas orações deve o glorificá-la mais cedo. — E o anjo da guarda, e Maria e Jesus, também eles nos testemunham sua alegria com benefícios novos.

2º. — Constituímos no Céu um repre­sentante nosso que, em nosso nome, adora, louva e glorifica o Senhor. — Aquele que serve a Deus na terra, nunca está satis­feito; não sabe, não pode amar como de­seja e sente a necessidade de fazê-lo; mas, se libertou uma alma do Purgatório, oh que alegria, que consolação a de poder dizer: Uma alma santa que ama perfeita­mente a Deus, foi amá-lo por mim; e, enquanto eu estou na terra ocupado, nas funções e trabalhos da vida, talvez até esquecendo-me de Deus, lá no Céu ela, talvez muitas, sem interromperem um só momento seu cântico de amor indizível, adoram, glorificam a majestade e a beleza do Altíssimo, e fazem-no em meu nome!

3º. — Constituímos protetores nossos as almas por quem oramos. O ensino comum dos teólogos é que, não podendo as al­mas do Purgatório orar eficazmente por si, podem, todavia, alcançar graças para nós, «São santas, diz Suarez, caras a Deus; a caridade leva-as a nos amar… Por que não intercederão conosco, mesmo quando expiam por si? É o que se dá conosco sobre a terra, pois que, embora devedores em relação a Deus, não hesi­tamos nunca em rogar pelo próximo.»

Pode-se, portanto, invocá-las nas necessidades, nos perigos, nas inquietações. Os fiéis o praticam habitualmente e há pou­cas almas piedosas que não possam dizer: Quando tenho pedido alguma graça pelas almas do Purgatório, é raro que não a tenha alcançado.

DIA 21

Terceiro motivo: — As principais virtudes que assim praticamos

— Socorrendo as almas do Purgatório, praticamos a caridade em toda a sua exten­são. «A devoção às almas do Purgatório, diz S. Francisco de Sales, encerra todas as obras de misericórdia, cuja prática, ele­vada ao sobrenatural pelo espírito de fé, nos há de merecer o Céu.»

Descer ao meio desses fogos devoradores, levar às almas prostradas em seu leito de chamas a esmola de nossas orações, não é, de algum modo, visitar os enfer­mos?

Não é dar de beber aos que têm sede, chover o doce orvalho de graça celeste so­bre as almas que ardem na sede de ver a Deus face a face?

Adiantar para elas o momento em que hão de entrar na posse da bem aventurança, do Céu, de Deus, do qual estão mais famintas do que o mendigo o está do pedaço de pão que lhe estendemos: é, em verdade, alimentar os que nos pedem de comer.

Nós remimos cativos, pagando o resgate das santas almas prisioneiras da justiça divina, despedaçando as cadeias que as retêm longe do Céu, e que cadeias!

Vestimos com magnificência os que es­tão nus, abrindo, com a nossa penitência, aos mortos a mansão de glória em que o Senhor lhes tem preparado uma túnica de luz de eternos esplendores.

Que admirável hospitalidade exercemos, introduzindo-as na Jerusalém celeste, na cidade triunfante dos espíritos bem aven­turados!

Poderíamos acaso comparar o mérito do sepultar corpos dados em pasto aos ver­mes, com a inapreciável felicidade de fazer subir ao Céu almas imortais?» Sufragando as almas do Purgatório, exercitamos a gra­tidão. Certamente não são estranhos aos que imploram socorro, são os nossos: pai, mãe, amigos…

Esses corações dedicados que outrora tanto trabalharam e sofreram, que, por nossa causa talvez — por nos amarem com excesso, —cometeram essas faltas, em cuja expiação sofrem agora; — esses corações que muitas vezes ferimos com a nossa in­diferença, com as nossas queixas, com recriminações mesmo: hoje que não pal­pitam mais na terra, não é verdade que sentimos remorsos de não lhes haver tes­temunhado bastante a nossa afeição? Pois bem, nós podemos reparar tudo, orando por eles! Muitas vezes os deixamos sós: vamos pensar neles; muitas vezes lhes desobedecemos: escutemos suas súplicas e façamos por eles tudo o que nos pedem; — faltamos-lhes à complacência e à afabilidade, preferimos nosso prazer à sua fe­licidade: privemo-nos de alguns momentos de distração para consagrá-los a orar por eles.

Ó meus queridos mortos, sereis con­tentes daquele que tanto se arrepende de vos haver penalizado na terra: eu vo-lo prometo.

DIA 22

Quarto motivo: O julgamento que nos espera após a morte

Ouvi estas palavras do Evangelho:

O que fizerdes ao mínimo dos meus, é a mim que o fazeis. — Sereis medidos com a mesma medida de que houverdes usado com outros.

Virá um dia, e talvez esse dia não es­teja longe, em que estareis vós mesmos no lugar da terrível expiação. Conhecereis então, por uma experiência pessoal e dolo­rosa, o que é o Purgatório; e, como as pobres almas que lá sofrem a esta hora, clamareis com um acento aflitivo: — tende piedade de mim, tende piedade!

E, por uma justa permissão divina, estes gritos despedaçadores penetrarão na alma daqueles a quem vos dirigirdes na medi­da em que agora as súplicas das almas calam em vosso coração: esquecestes? se­reis esquecido!; repelistes como importunos seus pedidos de orações? vossas ins­tâncias também serão repelidas; — não quisestes sofrer uma privação para dar uma esmola em favor dos mortos? não se fará esmola em vosso beneficio. E assim ficareis só, sem amigos, obrigado a per­manecer no fogo purificador até expiardes vós mesmo ainda a mais pequena mancha.

E, mesmo quando, mais caridosos que vós, vossos parentes intercedessem por vosso livramento, Deus, árbitro supremo da aplicação de seus sufrágios, quiçá não vos deixará sentir em toda sua medida os efeitos de uma caridade da qual vos tornastes tão pouco digno.

Oh! não nos coloquemos em condições de ser assim abandonados!

Mas, se houverdes sido bom, dedicado, generoso com essas pobres almas, é Deus — Ele o disse — é Deus mesmo que vos retribuirá, e no cêntuplo, o que tiverdes feito em seu nome pelos seus, e, até dado que vossos parentes e amigos vos aban­donem, Deus suscitará boas almas que hão de orar e expiar por vós; ou, talvez, por uma abundância de graça toda especial, aumentando aqui mesmo na terra vosso amor por Ele, vos fará expiar em vida todos os vossos pecados.

Deus é muito justo para deixar uma só ação boa sem recompensa, e, recompen­sando como Deus, dá sempre mais do que se lhe deu.

Terminemos com estas palavras de San­to Ambrósio: «Tudo o que damos por ca­ridade às almas do Purgatório converte-se em graças para nós, e, após a morte, en­contramos o seu valor centuplicado.»

O Purgatório é como um banco espiri­tual em que podemos depositar cotidianamente nossas boas obras, por menores que sejam; e aí estão em seguro e se multiplicam; e, quando nos vemos aflitos e inquietos, daí vem, como viria o rendi­mento de um dinheiro depositado, a luz, a força e a prudência que nos são precio­sas em nossas dificuldades.

Sejamos, pois, generosos, muito gene­rosos.

Meios que nos fornece a Igreja para aliviar as almas do Purgatório

DIA 23

Meios gerais

Graças, meu Deus, mil graças de terdes em vossa infinita misericórdia permitido a meu coração fazer bem a meus pobres finados e de haverdes multiplicado em redor de mim os meios de fazê-lo.

Esses meios, diz um piedoso autor, são tão numerosos como as pulsações de meu coração, como meus pensamentos, como minhas palavras, meus suspiros, minhas ações, porque não há uma só destas coi­sas que não lhes possa aproveitar.

Um movimento do coração em sua intenção, — um olhar para o Céu em sua lembrança, — um suspiro de piedade por eles, — um pensamento de compaixão so­bre os males que sofrem, — os nomes de Jesus e de Maria pronunciados com devo­ção em seu favor,—a menor obra boa em recordação deles, — diminuem certamente suas penas, contanto que a caridade tenha parte nisso e que esteja em estado de graça aquele que pensa neles e por eles trabalha.

Realmente custa-nos muito pouco su­fragar os defuntos. Somos obrigados a fazer certas orações, quer em particular, quer em público, — a assistir à santa Missa, ao menos nos domingos e festas de pre­ceitos, — a aproximar-nos dos sacramen­tos em certas épocas, a fazer alguns jejuns e esmolas, — a perdoar aos nossos inimi­gos. — Tudo isto, se, estando na graça de Deus, o oferecemos pelas almas do Pur­gatório, é aceito por Deus e serve para alívio delas.

E os males de todos os dias? os dissa­bores que perturbam quase continuamente nossa vida, — a fadiga do trabalho obrigatório, — as enfermidades enviadas discre­tamente por Deus, — as humilhações ime­recidas, a intempérie inevitável das esta­ções, a tarefa de suportar os humores e caprichos dos que nos rodeiam, tudo isso ainda pode servir para expiar nossos pe­cados e os pecados das pobres almas do Purgatório.

Aceitemos, pois, tudo o que o bom Deus permite, sem murmurar jamais contra ele: todas as manhãs, ofereçamos a Deus, em favor dos nossos finados, todo o bem que pudermos fazer… oh! de que sofri­mentos serão aliviados no Purgatório!

Quão rico é o homem, diz Bossuet, pois que com tão pouco pode ganhar o Céu e fazê-lo ganhar aos outros!

DIA 24

Primeiro meio: — A Oração

A oração, feita diretamente pelas almas do Purgatório, é a súplica de um filho a Deus para que se mostre bom e miseri­cordioso.

A uma oração feita assim, no fundo da alma, será Deus insensível?

De mais, a oração, quando parte de um coração puro e é feita com instância, tem por si só, diz S. Tiago, uma força imensa. Eleva-se até o coração de Deus, penetra nesse coração, comove-o, e lhe arranca, de alguma sorte, a despeito de sua justiça, o perdão e a misericórdia.

Portanto, eu rogarei muito a Deus por meus mortos, farei a Deus esta violência que lhe é tão grata.

Entre minhas orações, empregarei, de preferência, as que são indulgenciadas: o Terço, a Via Sacra, invocações espe­ciais… etc.

Uma indulgência é a remissão total ou parcial das penas temporais devidas aos pecados já perdoados quanto à ofensa e à pena eterna: essa remissão é outor­gada pela Igreja, que recebeu de seu di­vino Fundador o poder de fazê-lo pela aplicação dos méritos superabundantes do mesmo Jesus Cristo e dos Santos.

Aos que vivem neste mundo, como ain­da estão sob a jurisdição do Papa, é este quem aplica as indulgências a modo de absolvição por força destas palavras de Jesus Cristo: «Tudo o que remitirdes na terra será remitido no Céu.» Quanto aos mortos, não estando mais sob essa juris­dição, as indulgências só lhes são aplica­das por modo de sufrágio, isto é, o Papa toma do tesouro da Igreja, formado pelos méritos de Jesus Cristo e dos Santos, o que sua prudência julga conveniente e o faz oferecer pelos fieis, em favor dos de­funtos, a Deus que o aceita em satisfação por eles. Assim, os vivos substituem os mortos em virtude da comunhão, dos san­tos. É o que faz Sto. Tomás dizer que a indulgência não é uma pura remissão, mas uma espécie de resgate.

Doutrina consoladora! Ela me dá oca­sião de ser bom para com os meus defun­tos: incute-me a convicção de que posso acumular para eles, proporciona-me o pra­zer de fazer por eles alguns sacrifícios, e expiar assim a falta de afeição e de re­conhecimento de minha parte que, durante sua vida, lhes foi sem dúvida tão sensível!

Uma indulgência é uma chave que a Igreja me confia para penetrar em seu tesouro, onde estão os méritos de Jesus Cristo e dos Santos, com permissão de retirar a soma que ela mesma indicou; — esta soma de méritos, eu a entrego a Deus para solver as dívidas das almas do Purgatório, e Deus a aceita, aplicando-a na medida que julga de conveniência.

Oh! quanto sois verdadeiramente mãe, vós que nos entregais assim os vossos tesouros: — eu quero, pois, eu vou me aproveitar deles !

DIA 25

Segundo meio: — A santa missa

É o meio mais eficaz e mais pronto para, aliviar e libertar as almas de nossos mortos.

A cada Missa celebrada com devoção, diz S. Jerônimo, saem muitas almas do Purgatório. — E não sofrem tormento al­gum durante a Missa aplicada por elas, acrescenta o mesmo Doutor.

Na Missa, é o próprio Jesus que se oferece ao Eterno Padre em troca, por assim dizer, da alma de quem se lhe pede o livramento. — Um santo sacerdote, diz o Cura d’Ars, orava por certo amigo que ele sabia estar no Purgatório: veio-lhe a ideia de que não podia fazer nada de me­lhor do que oferecer por sua alma o santo sacrifício da Missa. Chegado o mo­mento da consagração, tomou a hóstia en­tre as mãos e disse: «Pai santo e eterno, façamos uma troca. Vós tendes a alma de meu amigo que está no Purgatório, e eu tenho em minhas mãos o corpo de vosso Filho: pois bem! livrai meu amigo e eu vos ofereço vosso Filho com todos os méritos de sua Paixão e Morte.» No mo­mento da elevação, viu ele a alma do amigo que, toda radiante de glória, subia ao Céu.

Na santa Missa, é o sangue de Jesus com que se quer libertar, e este sangue tem valor infinito.

A indignidade daquele que manda dizer a Missa ou mesmo de quem a diz, não tira o valor da oferenda. Qualquer outra oração ou obra boa, feita em estado de pecado mortal, é uma obra morta, mas o sacrifício da Missa tem sempre intrinsecamente o mesmo valor. «Seu mérito, diz Bourdaloue, não depende da santidade de quem o oferecer, e muito menos de quem o faz oferecer, mas é ligado só à pessoa de Jesus Cristo e ao preço de seu san­gue; donde segue-se que um pecador, ain­da em seu estado desordenado, pode con­tribuir para o repouso das almas do Pur­gatório… Pode e deve-o, tanto mais quanto este sacrifício é o único meio que ele tem de suprir a impotência em que está de socorrer de outro modo essas al­mas predestinadas. Deus olha a Hóstia que se apresenta, que é Jesus Cristo, e não aqueles pelo ministério ou cuidado de quem ela lhe é oferecida.»

Farei, portanto, oferecer a santa Missa por meus finados. Se não puder, ouvirei a Missa por eles: ouvir a Missa, unir-se ao sacerdote que a celebra, é oferecer também a santa vítima. «Lembrai-vos, Se­nhor — diz o sacerdote ao ofertório — de vossos servos aqui presentes por quem vos oferecemos este sacrifício ou que vo-lo oferecem eles mesmos.»

Comungarei por eles: a santa comunhão é, depois do santo sacrifício, o ato mais sublime da religião, o que dá mais gloria a Deus; o que, pelos sentimentos de hu­mildade, contrição e amor que desperta na alma, constitui uma das obras satisfatórias mais úteis.

DIA 26

Terceiro meio: — O jejum, as mortificações, a esmola

Os atos de mortificação, em geral, nos fazem mais comedidos, mais piedosos e, consequentemente, mais agradáveis a Deus; as orações que conjuntamente fazemos são acolhidas mais favoravelmente: Deus não repele o coração contrito e humilhado; mas, além do valor que esses atos dão a nossas orações, eles são por si mesmos uma reparação em favor das almas do Purgatório.

Estas almas sofrem porque foram ne­gligentes, sensuais, tíbias, pouco submis­sas… e nós, esforçando-nos por sermos mais ativos nos trabalhos, mais firmes na resistência às tentações, mais mortificados nos sentidos, mais generosos para dar, reparamos o que elas fizeram mal, — su­primos o que omitiram, — compensamos o que fizeram de modo imperfeito, e, assim, pagamos realmente a Deus as dívidas, que contraíram.

Sofrem essas almas, porque buscaram com sofreguidão os prazeres do mundo, permitidos, sim, mas em certos limites e moderadamente; — abandonaram-se a uma curiosidade que feriu a delicadeza de sua virtude, tiveram alguma sensualidade em suas refeições… Oh! pois que Deus nos aceita como reparadores e redentores em favor delas, privemo-nos de assistir àque­la festa mundana que nos impediria de orar com recolhimento; não vamos aonde nos convida a simples curiosidade, embo­ra não pareça repreensível; — evitemos o que pode lisonjear nossas paixões, — sejamos, sobretudo, severos observadores dos jejuns e da abstinência imposta pela Igreja.

Meus pobres mortos, sei que padeceis, e hei-de entregar-me ao prazer? privando-me apenas do que seria um perigo para minha alma, posso aliviar-vos, e não o farei ? Ó meu Deus, aqui estou! feri a mim, porém poupai a eles! acudi-lhes!

Façamos também a esmola em intenção de nossos finados.

Quando um pobre bate à nossa porta, nós lhe dizemos, entregando o que nos é possível dar; Pedi por meus pobres mor­tos! Oh! se nos fosse dado ver o que nossa esmola faz da oração desse men­digo! Faz dela, afirma S. João Crisóstomo, a amiga de Deus, oração sempre escutada; nossa esmola em suas mãos torna-se al­guma coisa de onipotente: move o coração de Deus, alcança dele tudo quanto quer. — Passa-se uma espécie de contrato entre Deus e o homem: nós damos capitais, bens; privamo-nos para dar; Deus, em compensação, em troca, dá o alivio, e o resgate àquelas almas.

Se soubermos que nossos mortos deixa­ram dívidas, quitemo-las pronta e genero­samente.

Se soubermos que eles cometeram algu­ma injustiça, vamos repará-la, e, dando a esmola, tenhamos a intenção de compensar os danos que possam ter causado e que ignoramos.

Se nos fizeram algumas recomendações, não tardemos de cumpri-las.

Se nos pediram Missas, providenciemos para que se celebrem o mais prontamente possível.

A vontade e até os desejos dos mori­bundos devem ser sagrados.

DIA 27

Quarto meio: — O ato heroico

Um derradeiro meio que encerra em si todos os outros é o ato heroico, que con­siste em aplicar às almas do Purgatório tudo de que podemos dispor em nossas orações e obras pessoais, e ainda em ceder-lhes a aplicação que nos tocar das orações e obras de outros.

O ato heroico é o mais próprio das al­mas que só se julgam felizes quando, de­pois de haverem dado tudo, dão-se a si mesmas; por isso a instituição desse ato foi bem aceita e ele é praticado com fervor.

Demais, esse ato não empobrece a nin­guém; antes, centuplica o mérito de todas as nossas boas obras. — O mérito de uma obra procede, com efeito, da caridade, e quanto maior caridade houver em uma ação, mais meritória será ela para quem a faz. Ora, haverá na vida cristã ato mais cheio de verdadeira caridade do que aquele, pelo qual, despojando-nos de todo o mé­rito satisfatório de nossas orações e boas obras, nós o oferecemos a Deus para que o aplique, ele mesmo, às almas do Purgatório?

Esse ato heroico centuplica o fruto impetratório de nossas boas obras. Quan­do pedimos a Deus uma graça, não somos sós a pedir; milhares de almas, as almas em beneficio das quais fizemos esse ato, pedem conosco: pedem do Céu, se já o gozam; pedem do Purgatório, se ainda nele estão!

O ato heroico pode ter a seguinte fór­mula:

«Para vossa gloria, ó meu Deus, e para imitar o mais possível o generoso Cora­ção de Jesus, meu Redentor, e também com o fim de mostrar minha dedicação à Santa Virgem, minha Mãe, que é também Mãe das almas do Purgatório, deponho em suas mãos todas as minhas obras sa­tisfatórias, assim como o valor de todas as que houverem de ser feitas em minha intenção depois de minha morte, para que Ela aplique tudo às almas do Purgatório, segundo sua sabedoria e à sua discreção.»

Esse ato dá aos sacerdotes altar privilegiado todos os dias do ano; aos fieis, uma indulgência plenária com que podem livrar uma alma do Purgatório todas as vezes que comungam e todas as segundas-feiras, ouvindo a santa Missa pelos de­funtos, contanto que visitem nesse dia uma igreja, e orem segundo as intenções do Sumo Pontífice; além disso, podem apli­car aos mortos todas as indulgências que, pela letra das concessões, não lhes fossem aplicáveis.

Quem recusará fazer esse ato, ato de ge­nerosidade, por certo, mas também ato que a Igreja remunera com tanta largueza e a que Deus será reconhecido no Céu?

Eu faço-o em toda a sua extensão: digo com alegria essa fórmula que me é indi­cada, e formo a intenção de renová-la, ao menos de coração, em todas as minhas comunhões.

Que não faria eu, meu Deus! que não daria eu com o fim de contribuir para vossa glória e poupar o sofrimento a meus defuntos tão pranteados!

LIÇÕES DADAS PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO

DIA 28

I. Horror ao pecado

Que boas lições, diz o Padre Faber, po­demos retirar da meditação do Purgatório!

A primeira, a que domina todas as ou traz, é o amor da pureza, em geral, e como consequência, o temor de ofender a Deus, a fuga das ocasiões do pecado, — o desejo de mortificar-se para expiar as próprias faltas, — o zelo em ganhar as indulgências.

Apenas desprende-se do corpo, a alma se encontra, sem poder explicar como se dá isto em face de Deus, a quem vê, a quem conhece… e sente-se naturalmente atraída a ele com uma violência que nada tem de comparável na terra… Mas, de re­pente, revela-se-lhe a pureza de Deus, — essa pureza que é alguma coisa de indizível em linguagem humana, e, conhecendo-se ainda maculada, embora levemente, concebe tal horror de seu estado e logo tal desejo de se purificar para se unir a Deus, que se precipita incontinente nas chamas do Purgatório onde espera a sua purificação.

Assim entende Santa Catarina de Gê­nova, a qual acrescenta: «Se esta alma conhecesse outro Purgatório mais terrível, em que se purificasse mais depressa, aí é que ela se arrojaria na veemência de seu amor por Deus. Havia de preferir mil vezes cair no inferno a comparecer ante a Divina Majestade com a mais ligeira mancha.»

E, no Purgatório, essa alma justa e amante deixa de olhar tudo o mais para fixar duas coisas: a pureza de Deus a quem ama, e a necessidade de se tornar digna dessa pureza.

Entretanto, sofre, e sua dor é tanto mais viva quanto ela ignora completamente quando cessará o exílio que a tem longe de Deus! Diz ainda Santa Catarina: «É tão cruciante a pena, que a língua não pode exprimi-la, nem a inteligência con­ceber-lhe o rigor. Conquanto Deus em sua bondade me tenha permitido entrevê-la um instante, não a posso descrever… Todavia, se uma alma, que ainda não está purificada, fosse admitida à visão de Deus, sofreria dez vezes mais do que no Purga­tório; porque não estaria em condições de acolher os efeitos dessa bondade ex­trema e misericordiosa justiça. »

Não é verdade que tal doutrina nos faz temer a menor falta e amar cada vez mais a pureza? Roguemos às almas do Purgatório que nos alcancem o horror do pecado.

DIA 29

II. Reparar os pecados pela penitência

Santa Brígida viu, um dia, ante o So­berano Juiz, uma alma do Purgatório, que estava trêmula e confusa e a quem era intimada que declarasse publicamente os pecados que não tinham sido seguidos de penitência suficiente e que lhe haviam me­recido a punição que sofria.

A alma exclamava com uma voz que cortava o coração: Infeliz de mim, infeliz! — e em soluços, fazia a enumeração de tudo o que a manchava e prendia tão longe do Céu.

Não reproduziremos essa visão, mas dela extrataremos a relação das principais faltas que, como vermes roedores, torturam uma pobre alma do Purgatório.

«Perdi meu tempo, esse tempo bem pre­cioso do qual todos os momentos podiam servir para expiar meus pecados, praticar uma virtude, merecer o Céu: eu o perdi em conversações fúteis, em ocupações banais e sem objeto, em leituras recrea­tivas demasiado prolongadas; — é por isso que sofro!

Esqueci por negligência minhas penitên­cias sacramentais: as fiz mal por dissipação, e aceitei-as sem espírito de fé: — é por isso que sofro!

Caí em murmurações contra meus supe­riores, meu confessor, meus parentes; mur­murações leves, sem dúvida, mas partidas do amor próprio magoado, da falta de res­peito, do ciúme; — é por isso que sofro!

Consenti em pensamentos de vaidade a respeito do trajar, sobre os acessórios da casa, acerca de predicados de família; vesti-me com orgulho, segui as modas com ostentação, afetei um asseio exagerado; — é por isso que sofro.

Eu me proporcionei, sem nenhuma ne­cessidade, pequenas sensualidades durante minhas refeições e fora delas, num viver voluptuoso e descuidado, num zelo exces­sivo do bem estar, no abuso do descanso corporal, na fuga de tudo que natural­mente modificaria os sentidos;— é por isso que sofro!

Em conversação, atirei ditos espirituosos com o fim de ser elogiado, apreciado, distinguido, e para brilhar mais que os outros; — é por isso que sofro!

Faltei à caridade que me chamava em socorro do próximo: faltei à caridade, deixando de o consolar, de o defender, de o aconselhar ao bem; conservando volun­tariamente um pequeno pensamento de rancor, de inveja; — é por isso que sofro!

Omiti por negligência e incúria muitas comunhões que me eram permitidas: fui remisso em minhas devoções, pouco apli­cado em meu terço e na oração; — é por isso que sofro!»

Meu Deus! como estas confissões me instruem!

DIA 30

III. Evitar também o pecado venial

Ainda uma lição só, uma das mais úteis para minha alma.

É a queixa que se ouve de quase todas as almas do Purgatório, pois quase todas sofrem por não terem compreendido bas­tante o alcance do pecado venial.

«Nós dizíamos na terra: É um simples pecado venial, e nos deixávamos levar por esse pendor de nosso coração, nos deixávamos ganhar por essa pequena sa­tisfação dos sentidos. Mas, como se dis­sipou essa ilusão, quando, à hora da mor­te, vimos, na luz do Senhor, as lamentá­veis consequências dessas faltas!

Felizes, todavia, por não nos terem sido de mais terríveis consequências! Sim, esses pecados veniais podiam nos conduzir ao inferno.

Os pecados veniais não condenam, é certo, mas, com inteligência, com malícia, em grande número e sem que se os apa­gue com a devida penitência, conduzem pouco a pouco, por um declive insensível, mas resvaladiço, ao pecado mortal que condena.

Conduzem a esse termo fatal pelo en­fraquecimento progressivo de todas as forças vivas da alma:

Pela diminuição do horror do mal;

Pela excitação e desenvolvimento das paixões;

Pela subtração de certas graças espe­ciais de distinção;

Por mil caminhos a um tempo.

E quando a alma, neste estado, não se converte, muitas vezes só a morte, vindo-lhe ao encontro, pode livrá-la de rolar até o fundo do abismo: porém, oh! Deus nem sempre usa a misericórdia de enviar a morte bastante cedo para prevenir que o homem nessa voluntária cegueira consu­ma a sua desgraça!

Deus nos fez esta graça: deu-nos a morte em hora oportuna; mas, terrível castigo o nosso! que dura expiação a que sofremos!

A cada um dos nossos pecados veniais corresponde uma medida de penas. E, se Deus contou em nossa consciência milha­res de pecados veniais, qual será o rigor e a duração das penas que ainda nos estão reservadas!

Considerai também, ó amigos que na terra vos interessais por nós, considerai que o Purgatório não é o castigo só dos pecados veniais, ainda subsistentes na hora da morte, mas o castigo de todos os pecados perdoados e não expiados.

Oh! vivei, pois, na justiça, na santidade no temor de Deus!

Vós, que amais, evitai nossa triste sorte: sofrereis muito!»

DIA SEGUINTE

Perseverança em orar pelos mortos

Ao cabo deste mês, consagrado às almas

do Purgatório, me é permitido levantar os olhos ao Céu e perguntar a mim mesmo, se, com as minhas orações de todos os dias por essas almas, com a minha assidui­dade em lhes dar, todos os dias, a parte satisfatória de minhas obras e aplicar-lhes as indulgências que lucrei, não teria eu contribuído para que alguma delas fosse chamada a gozar da visão de Deus?!

Oh! se assim fosse, meu Deus, se eu pudesse dizer: Há no Céu, a esta hora, uma alma que me deve o seu resgate do Purgatório: uma alma que fala de mim ao bom Deus, que o glorifica em meu nome, que por mim louva e ama a San­tíssima Virgem! se assim fosse, quanto seria eu feliz!

Só poderei sabê-lo por um milagre, e esse milagre, eu não o peço: mas, o que sei e ouso afirmar é que, cedo ou tarde, se continuar as minhas orações, meus su­frágios, o dom generoso dos próprios mé­ritos que para mim só posso reservar, e se, ao mesmo tempo, eu me conservar em estado de graça, um dia gozarei essa ale­gria de ter resgatado uma alma do Purgatório.

Não quero, portanto, deixar de interes­sar-me por essas almas desditosas! Vai nisso, a glória de Deus; vai nisso minha salvação também!

Em algumas comunidades, vê-se à porta da capela ou do refeitório, um quadro com o título de sorteio espiritual em favor das almas do Purgatório.

Aí, precedidas por um número ordinal, são designadas por uma denominação par­ticular muitas das almas do Purgatório.

Abaixo do quadro, numa caixinha ou bolsa, está uma série de números corres­pondente à do quadro e, todas as segun­das-feiras, cada Religioso, ao passar, tira um desses números, e deve, durante a semana, aplicar o fruto de suas orações e obras à alma que assim lhe é designada.

Reproduzimos uma parte deste quadro, que poderá servir para direção de nossas intenções.

Poder-se-á dizer, por exemplo: Ó Jesus, em união com a santa Virgem e meu Anjo da Guarda, eu vos rogo, por vossa Paixão, o alívio da alma do Purgatório… a mais desamparada.

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DIVERSAS INTENÇÕES

Recomendemos especialmente a Deus

1. A alma mais desamparada.

2. A alma que sofre há mais tempo.

3. As almas dos que mais nos amaram, talvez demais.

4. As almas dos que nós mais esti­mamos.

5. A alma predileta de Jesus e de Maria.

6. A alma que sofre pelos escândalos que lhes causamos.

7. As almas dos sacerdotes que nos diri­giram nas diferentes épocas da nossa vida.

8. As almas daqueles de quem fomos cúmplices em alguma falta.

9. A alma cujo livramento dará mais gloria a Deus.

10. A alma que foi mais fervorosa com a Sagrada Eucaristia e a Santíssima Virgem.

11. As almas dos que não nos estimavam.

12. A alma que não teve zelo na vo­cação que abraçou.

13. A alma por quem somos especial­mente obrigados a orar.

14. A alma que está mais prestes a se remir.

15. A alma que se deixou cair nas fal­tas a que nós somos mais sujeitos.

16. A alma que expia o tempo dissi­pado em leituras frívolas e cuidados ex­cessivos do corpo.

17. A alma que faltou à bondade, à condescendência e a inabilidade.

18. A alma que não cessava de orar pelos agonizantes.

19. A alma que tinha mais devoções às almas do Purgatório.

20. A alma que, sem causa, perdia suas comunhões e se confessava com pouco espírito de fé.

21. A alma que faltava à confiança em Deus.

22. A alma pouco respeitosa com os seus superiores.

23. A alma que se consagrou ao serviço de Jesus sacramentado.

24. A alma que propagou com zelo as boas leituras.

25. A alma que era demasiadamente aferrada à própria opinião.

26. A alma que se deixou dominar pe­los escrúpulos e não obedeceu devidamente a seu confessor.

27. A alma de quem escreveu ou dis­tribuiu este livrinho, quando o Senhor o houver chamado a si.

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DEVOÇÕES PELOS MORTOS

Terços das almas do Purgatório

1.o Modo de rezá-lo

Reza-se, dizendo em cada conta do terço comum as duas orações seguintes, que são, ao mesmo tempo, as mais curtas e as mais indulgenciadas.

I. — Nas contas grandes recitam-se os atos de fé, esperança e caridade, com as seguintes fórmulas:

Creio em vós, Senhor, porque sois a verdade eterna.

Espero em vós, Senhor, porque sois a fidelidade suprema.

Amo-vos, Senhor, porque sois a bondade infinita.

O Papa Bento XIV ligou a estes atos:

1. » 7 anos e 7 quarentenas de Indulgência.

2. ” Indulg. plenária, cada mês, tendo-os recitado ao menos uma vez por dia.

Indulg. plenária, em artigo de morte, tendo-os recitado muitas vezes durante a vida.

II. — Nas contas pequenas, diz-se a invocação:

Doce Coração de Maria, sede minha salvação.

1º O Santo Padre Pio IX concedeu 300 dias de indulg.

2.° Indulg. plenária, cada mês, pela recitação diária. (As indulgências plenárias nas condições do costume: confissão, comunhão, visita de um oratório público e orações segundo a intenção do Papa.)

III. — Antes do terço faz-se devotamente o sinal da cruz. Depois, o seguinte oferecimento ou algum semelhante:

Meu Deus, pelo dulcíssimo Coração de Maria eu vos ofereço as indulgências que puder ganhar, e rogo-vos que as apliqueis às almas (ou a tal…) do Purgatório.

Três ou quatro minutos bastam para recitar-se este terço. Pode-se ganhar de cada vez pelas almas do Purgatório muitas indulgências.

Não é preciso dizer estas orações com um terço nas mãos. As indulgências são ligadas às fórmulas e não ao modo. Basta que sejam recitadas em estado de graça, isto é, livre a alma de pecado mortal e contrita dos veniais.

2º MODO DE REZAR O TERÇO

Primeiro Terço

V. Deus vinde em meu socorro,

R. Senhor apressai-vos em socorrer-me.

V. O Repouso eterno dai-lhes Senhor,

R.: E a luz do perpétuo esplendor.

1ª Dezena

Eu ofereço, meu amorosíssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, cada um de todos os tormentos, penas e dores de vossa santa Paixão e Morte penosíssima de Cruz, e o Sangue preciosíssimo que derramastes, para nosso remédio e salvação.

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu benigníssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, aquela piedosa súplica que fizestes ao Eterno Pa­dre, orando no Horto, quando entriste­cido e amedrontado, pela vista de quanto devíeis sofrer, lhe suplicastes que reti­rasse de vós o amargoso cálice da Paixão: e também aquela inteira e santa resignação com que, sujeitando-vos depois à sua di­vina vontade, lhe dissestes: Faça-se, eterno Pai, não a minha, mas a vossa vontade.

Padre N, 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu clementíssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório aquele sacro e vivo Sangue que, à força de dor interna, também suastes angustiado, ó meu Jesus, orando no Horto, em tanta abundância, que, correndo em copiosas torrentes, de todo o vosso santíssimo’ Corpo, até chegou a banhar a terra.

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu piedosíssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, aquele vergonhoso ultraje de serdes conduzido amarrado, como um malfeitor, à casa do’ pontífice Caifás onde, com aspecto feroz, vos recebeu no meio dos vossos inimigos, os quais, todos aí congregados, como lobos raivosos, estavam esperando-vos, manso Cordeiro.

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu misericordiosíssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, aquele admirável silêncio, quando, levantando-se contra vós, inocentíssimo Senhor, tantos falsos testemunhos, não abristes a boca em vossa defesa; mas tudo sofrestes com paciência, dando-nos exemplo para seguirmos a vossa mansidão.

Padre N. 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

OFERECIMENTO

(Esta oração se diz no fim de cada terço)

Eu vos rogo, meu clementíssimo Jesus, pela grande doçura do vosso Coração, que tenhais piedade das almas aflitas, que estão penando no Purgatório. Lembrai- vos, Jesus amorosíssimo, de tantas miseri­córdias conosco tão prodigamente repar­tidas. Lembrai-vos das penas, das chagas, dos sofrimentos, das feridas e das dores que suportastes. Lembrai-vos de todas as gotas de vosso precioso sangue, que pelos homens derramastes. Lembrai-vos, enfim, da morte penosíssima, que, por nós peca­dores, com tanto amor padecestes.

Eu por tudo isto vos rogo humildemente que derrameis sobre aquelas almas aflitas a virtude, a eficácia, o fruto e a graça dos mencionados vossos trabalhos e da vossa Paixão, para que, aliviadas daquelas penas, fiquem inteiramente livres e salvas. Lembrai-vos, Jesus misericordiosíssimo, que são vossas filhas diletas, vossas queridas amigas, por vós remidas e por vós eleitas para a glória do Paraíso. Basta de vossa justiça; que já por bastante tempo elas têm penado no fogo. E, se ainda têm que purgar por vosso respeito, sejam benignamente absolvidas: pela infinita misericórdia. Nas vossas mãos eu as entrego, piedosís­simo Senhor meu Jesus Cristo, e a vós de todo o meu coração as recomendo.

Segundo Terço

1ª Dezena

Eu vos ofereço, meu amantíssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, todas aquelas penas e desprezos que sofrestes, quando estivestes nas mãos daquela iní­qua e cruelíssima gente, cheia de raiva e de furor; pois, não cessaram os pérfidos de afligir-vos excessivamente, com ponta­pés, bofetadas, e escarros no rosto; e mais com blasfêmias e injurias.

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu caríssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, aquele santo pudor virginal que, sobremodo, vos acometeu, quando os ímpios judeus vos despiram para amarrar-vos à coluna; e aquela tão grande dor que também sentistes, quando tão fortemente vos aperta­ram as cordas.

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu piedosíssimo Jesus. pelas almas aflitas do Purgatório, aquele excessivo tormento que sofrestes, quando fostes tão desapiedada e cruelmente fla­gelado; e a grande dor que sofreu a vossa Mãe Santíssima que, quantos golpes eram dados nas vossas inocentíssimas e santas carnes, tantos ela sentia darem-se-lhe no seu puríssimo Coração.

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu piedosíssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, aquela extrema dor que, também, experimentastes, quando fostes injustamente coroado de agudíssimos espinhos; e aquele sacratíssimo sangue que da cabeça e de todas as chagas do corpo saiu, pela nova e ás­pera flagelação.

Padre N. 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu misericordiosíssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, aquele duro sentimento que vos magoou, quando os pérfidos judeus, todos a uma voz, gritaram: — crucificai-o, crucificai-o, — pedindo que a Vós, ó meu inocente Senhor, fosse dada, sobre o infame patíbulo da Cruz, a morte e ao facinoroso Barrabaz a vida; cujas vozes foram tão agudas setas, que traspassaram cruelmente o vosso coração, e o da vossa dolorosa Mãe Maria.

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Terceiro Terço

1ª Dezena

Eu vos ofereço, meu benigníssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, a grande fadiga que suportastes, carregando, desfalecido e magoado, até ao monte Calvário, a Cruz, que, por ser mui pesada, tornou maiores e muito mais agudas vossas dores.

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu benigníssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, aquele feroz e acerbíssimo martírio que, com re­quintadas penas e dores, amargamente sofrestes na penosíssima crucificação; e aquele grave tormento que também sentistes, estando vivo três horas na Cruz pois que, estando todo o sagrado corpo cheio de chagas, furadas as mãos e os pés e coroada a cabeça de agudíssimos espinhos, o estar assim pendurado vos causou acerbíssima aflição e dor.

Padre N. 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu clementíssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, aquela lastimosa e compassiva lamentação que fi­zestes na Cruz, de vos verdes abandonado do Eterno Pai; e quando, vendo também que o Céu retirava de vós os seus amoro­sos confortos, todo doloroso e desconso­lado, dissestes: — Meu Deus! meu Deus! por que me desamparastes?

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, meu clementíssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, aquela última dor que sentistes, ao separar-se a vossa alma do corpo, quando, encomendado vosso espírito ao Pai, com lágrimas nos olhos, em alta voz, dissestes: — Pai, nas vossas mãos encomendo o meu espírito.

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

Eu vos ofereço, finalmente, misericordio­síssimo Jesus, pelas almas aflitas do Purgatório, todas as dores que sofreu a vossa bendita Mãe, em cima do monte Calvário, não só quando ela vos viu penar entre tantos espasmos e dores, e morrer, na Cruz, com tanta ignomínia; mas também, ao ver-vos traspassado pela lança cruel, no vosso sacratíssimo lado; ao ver-vos des­cido da Cruz, e depositado nos seus bra­ços; ao ver-vos, enfim, encerrado no santo sepulcro, banhado de lágrimas desta vossa saudosa Mãe e minha magoada Senhora.

Padre N., 10 Repouso eterno, Ave-Maria.

VIA-SACRA pelas almas do Purgatório

1º. — Diante de cada estação, indica-se o assunto que lhe corresponde, para fixar o espírito sobre uma das dores de Jesus Cristo.

2º. — Recita-se com devoção o seguinte oferecimento a que Pio IX ligou 100 dias de indulg.:

Eterno Padre, eu vos ofereço o Sangue, a Paixão e a Morte de Jesus Cristo, as dores da Santíssima Virgem e as de S. José, pela remissão dos meus pecados, livra­mento das almas do Purgatório, necessi­dades da Santa Madre Igreja e a conversão dos pecadores.

3º. — Repete-se dez vezes a invocação:

Meu Jesus, misericórdia !

300 dias de indulg. cada vez.

4º. — Termina-se com o versículo:

As almas dos fieis por misericórdia de Deus descansem em paz. Amem.

Não exige o Padre-nosso e Ave Maria.

Um quarto de hora basta para esta Via-Sacra na qual as indulgências peculiares deste pio exercício crescem consideravelmente com as das orações apontadas.

Veja as orações da Via-sacra no «Adoremus» ou no Devoto de S. José»

Invocações para a Missa ou novena, concluindo por uma dezena de terço ou com a jaculatória

«Meu Jesus, Misericórdia»

1ª — Senhor Jesus! dignai-vos, pelo pre­cioso Sangue que derramastes no Jardim das Oliveiras, socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a mais de­samparada. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amem.

2ª — Senhor Jesus! pelo precioso San­gue que derramastes durante vossa flagelação, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que em vida me fez mais benefícios. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amem.

3ª — Senhor Jesus! pelo. precioso San­gue que derramastes durante vossa coroação de espinhos, dignai vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que mais amou a Santíssima Virgem. Levai- a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amem.

4ª — Senhor Jesus! pelo Sangue pre­cioso que derramastes, carregando a vossa Cruz, dignai-vos socorrer e livrar as al­mas do Purgatório, principalmente a que sofre pelos maus exemplos que lhe dei. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a vossa Mãe Santíssima, vos bendiga para sempre. Amem.

5ª — Senhor Jesus! pelos merecimentos do Sangue precioso contido no cálice que apresentastes a vossos apóstolos depois da Ceia, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que foi mais fervorosa com o Santíssimo Sa­cramento do Altar. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a vossa Mãe Santíssima, vos bendiga para sempre. Amem.

6ª — Senhor Jesus! pelos méritos do Sangue precioso que manou de vossas chagas, dignai-vos socorrer e livrar as al­mas do Purgatório, principalmente a da­quele a quem me confiastes na terra. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amem.

7ª — Senhor Jesus! pelos méritos do Sangue precioso que saiu do vosso sagra­do Coração, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que mais propagou o culto do vosso Sacratíssimo Coração. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amem !

8ª — Senhor Jesus! pelos merecimentos de vossa adorável resignação sobre a Cruz, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que mais pa­dece por minha causa. Levai-a hoje ao Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amem.

9ª —- Senhor Jesus! pelos méritos das lágrimas que a Santa Virgem derramou ao- pé de vossa Cruz, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principal­mente a que vos é mais cara. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a vossa Mãe Santíssima, ela vos ben­diga para sempre. Amem.

* * *

Aos que nas penas estão,

Valha a vossa compaixão,

Ó Maria.

Súplicas pelas almas dos fiéis defuntos

(do Pe. Martinho de Cochem)

Ó Pai de toda a misericórdia, tende piedade das almas benditas do Purgatório.

Ó piedosíssimo Redentor do mundo, Jesus Cristo, livrai as almas do purgatório de seus tormentos.

Espírito Santo, Deus de todo o amor, livrai as almas dos fieis defuntos de suas grandes penas.

Virgem Maria, cheia de graça, Mãe de misericórdia, alcançai às almas perdão e misericórdia.

Todos os Anjos, visitai-as e consolai-as no seu cárcere!

Todos os Santos e Bem aventurados no céu, rogai pelas almas do purgatório que tanto sofrem.

Prostrai-vos todos diante do trono de Deus, pedindo perdão e misericórdia por elas.

Ó Deus, atendei às súplicas dos vos­sos Santos, e livrai as almas que tanto, sofrem no fogo do purgatório.

Eu clamo juntamente com eles a Vós, Senhor, olhai propício para o purgatório, e lembrai-Vos da vossa piedade e miseri­córdia.

Oh! quanto são terríveis as chamas do purgatório, quão cruéis as dores que lá as almas sofrem!

Pela paixão e morte de Jesus Cristo, tende piedade delas, ó Pai de misericórdia, ó Deus de toda a consolação!

Eu Vos ofereço para purificação das almas dos fieis defuntos as lágrimas de Jesus, e para alivio de suas penas e dores Vos ofereço o preciosíssimo Sangue do vosso divino Filho.

Eu Vos ofereço para expiação de suas culpas os tormentos que Jesus sofreu na cruz, e para perdão dos seus pecados todos os horrores que o mesmo Jesus pa­deceu na sua agonia.

Eu Vos ofereço para seu livramento to­das as santas Missas e o sagrado Corpo e o precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo que está presente sobre os nossos altares.

Ó meu Deus, Pai de misericórdia, acei­tai propício este oferecimento, e salvai as almas do purgatório pelo amor de Maria Santíssima, e sobretudo pelo amor de Jesus Cristo, vosso divino Filho, Nosso Senhor. Amem.

V. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno,

R. Entre os resplendores da luz perpétua.

V. Descansem em paz.

R. Amem.

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Ofício das Benditas Almas do Purgatório

Matinas

Abrirei meus lábios / Em tristes assuntos, /

Para sufragar / Os fiéis defuntos.

Sede em meu favor,/ Salvador do mundo,/

E das almas santas / Do lago profundo.

Nós vos pedimos / Pronta salvação,

preferindo aquelas / da nossa intenção.

Para que por vós,/ Jesus, Sumo Bem,

elas já descansem / Para sempre. Amém.

Hino

Deus vos salve, Cristo / Em vossa Paixão,/

Redentor das almas / Dos filhos de Adão.

Por tal benefício / Público e notório,/

Socorrei as almas / Lá no purgatório.

Não entreis com elas,/ Senhor, em juízo,/

Para que não tenham / Total prejuízo.

Porque na presença / Do Crucificado,/

Nenhum dos viventes / É justificado.

Pelo sacrifício da sagrada Missa,/

Não useis com elas / Da vossa justiça.

Com as tristes almas,/ Meu Senhor, usai /

Das misericórdias / De Deus, vosso Pai.

Vós sois o Cordeiro / Todo ensanguentado,/

Para o bem das almas / Tão sacrificado.

Supra o vosso sangue, / Precioso e santo,/

O dever das almas, / Que padecem tanto.

Peçamos a Deus / A eterna luz,/

Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus.

Ouvi meu bom Deus,/ O deprecatório /

Em favor das almas / Lá no purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria.

Oração

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem- aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Prima

Sede em meu favor,/ Salvador do mundo,/

E das almas santas / Do lago profundo.

Nós vos pedimos / Pronta salvação,/

preferindo aquelas / da nossa intenção.

Para que por vós, / Jesus, Sumo Bem,/

elas já descansem / Para sempre. Amém.

Hino

Deus vos salve, Excelso / Senhor compassivo,/

Das almas que penam / Entre o fogo vivo.

Segundo Batismo / Lhes dai, meu Senhor,/

Batismo de fogo / Purificador.

Como em Babilônia / Os três inocentes /

Só de vós se lembram / Nas chamas ardentes.

Só a vossa clemência / As pode remir /

Do fogo que arde / Sem as consumir;

Fogo que formastes / Com tais predicados,/

Para expiação / Dos nossos pecados.

Muito mais ativo/ que o calor do sol,/

Pior que uma frágoa / Que um vivo crisol.

Supra o vosso sangue, / Que é tão meritório,/

O dever das almas / lá no purgatório.

Aplacai das chamas / Também o calor,/

Daquele tremendo/ fogo expiador.

Peçamos a Deus / A eterna luz,/

Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus.

Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório./

Em favor das almas / Lá no purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria.

Oração

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem- aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Terça

Sede em meu favor,/ Salvador do mundo,/

E das almas santas / Do lago profundo.

Nós vos pedimos / Pronta salvação,/

preferindo aquelas / da nossa intenção.

Para que por vós, / Jesus, Sumo Bem,/

elas já descansem / Para sempre. Amém.

Hino

Deus vos salve, Pai / De misericórdia,/

Onde resplandece / A paz e a concórdia.

Por tal excelência / Que em vós adoramos,/

Socorrei as almas, / Por quem suplicamos.

Tão aferrolhadas, / Como Manassés,/

Mover não podem / Suas mãos nem pés.

Privadas de verem / Ao grande Adonai./

Seu eterno Rei, / Seu divino Pai.

Mais penalizadas / Do que Absalão,/

Por já não gozarem/ de Deus a visão.

Como o santo Jó / Tão amargamente /

Lágrimas derramam / Para Deus somente.

Qual o Rei Profeta,/ Seus olhos aflitos /

Estão já enfermos / Por falta de espírito.

Médico divino / Só vossa virtude /

Pode dar às almas/ eterna saúde.

Peçamos a Deus / A eterna luz,/

Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus.

Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório./

Em favor das almas / Lá no purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria.

Oração

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem- aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Sexta

Sede em meu favor,/ Salvador do mundo,/

E das almas santas / Do lago profundo.

Nós vos pedimos / Pronta salvação,/

preferindo aquelas / da nossa intenção.

Para que por vós, / Jesus, Sumo Bem,/

elas já descansem / Para sempre. Amém.

Hino

Deus vos salve nosso / Divino Mecenas,/

Protetor das almas / Que estão entre penas.

Vós sois nosso irmão / Pela humanidade,/

Nosso advogado / Com a divindade.

Derramai mil graças / Dessas vossas mãos /

Sobre aquelas almas / Dos nossos irmãos.

Obrai, pois com elas,/ Já com brevidade,/

Um gasto estupendo / Da vossa bondade.

Apressai as horas / Chegai os momentos /

De finalizarem / Seus grandes tormentos.

Não vos recordeis / Dos tempos passados,/

Quando cometeram / Seus grandes pecados.

Supra o vosso sangue,/ Tão satisfatório /

O dever das almas / Lá no purgatório.

Acabai as vossas / Correções fraternas,/

Para que já gozem / delícias eternas.

Peçamos a Deus / A eterna luz,/

Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus.

Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório./

Em favor das almas / Lá no purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria.

Oração

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem- aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Noa

Sede em meu favor,/ Salvador do mundo,/

E das almas santas / Do lago profundo.

Nós vos pedimos / Pronta salvação,/

preferindo aquelas / da nossa intenção.

Para que por vós, / Jesus, Sumo Bem,/

elas já descansem / Para sempre. Amém.

Hino

Deus vos salve, Cristo,/ Pastor piedoso /

Das almas benditas/ Do lago Penoso.

Libertai as almas, / Pastor sempiterno,/

Daquele lugar / Junto do inferno.

Qualquer dessas almas,/ Que pena Terá!/

Porque no inferno / Quem vos louvará?

Nestas tristes almas,/ Senhor, acabai /

Os justos castigos / De Deus, vosso Pai.

Supra vosso sangue, / Tão satisfatório /

O dever das almas/ Lá no Purgatório.

Quebrai, meu Jesus,/ poderoso e forte/

Aquelas prisões / Dos laços da morte.

Seja o vosso braço / O libertador /

Das almas que penam / Em tanto rigor.

Por vós finalize, / Jesus soberano,/

Nessas tristes almas / A pena do dano.

Peçamos a Deus / A eterna luz,/

Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus.

Ouvi meu bom Deus,/ O deprecatório./

Em favor das almas / Lá no purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria.

Oração

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem- aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Vésperas

Sede em meu favor,/ Salvador do mundo,/

E das almas santas / Do lago profundo.

Nós vos pedimos / Pronta salvação,/

preferindo aquelas / da nossa intenção.

Para que por vós, / Jesus, Sumo Bem,/

elas já descansem / Para sempre. Amém.

Hino

Deus vos salve, Filho / Do Onipotente,/

Com as tristes almas,/ Sempre tão clemente.

Tende compaixão / Dessas tristes almas,/

Que estão padecendo / Rigorosas chamas.

Bem como as securas / Do rico avarento,/

Padecem as almas / Outro igual tormento.

Assim como os servos / Dos vales e montes,/

Quando sequiosos / Procuram as fontes.

Assim mesmo as almas / Querem excessivas /

Só a vós, meu Deus,/ Fontes d’águas vivas.

Mandai-lhes, propício, / As águas da graça,/

Para melhorarem / daquela desgraça.

O perdão das almas,/ Senhor, alcançai,/

Das misericórdias / De Deus vosso Pai.

Vosso sangue seja,/ Propiciatório,/

De Deus para as almas / Lá no purgatório.

Peçamos a Deus / A eterna luz,/

Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus.

Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório./

Em favor das almas / Lá no purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria.

Oração

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem- aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Completas

Converta-nos Deus, / A nós todos juntos /

Para sufragarmos / Os fiéis defuntos.

Sede em meu favor,/ Salvador do mundo,/

E das almas santas / Do lago profundo.

Nós vos pedimos / Pronta salvação,/

preferindo aquelas / da nossa intenção.

Para que por vós, / Jesus, Sumo Bem,/

elas já descansem / Para sempre. Amém.

Hino

Deus vos salve, Esposo / Das almas fiéis /

Que estão padecendo / Tormentos cruéis.

Olhai compassivo / Para as fadigas /

Dessas que não são / Vossas inimigas.

Mesmo assim vos amam / Em tal padecer,/

Sem aqueles toques / Do doce prazer.

Como as Virgens loucas / Foram imprudentes,/

Perdoai as suas / Ações negligentes.

Celebrai depressa / As núpcias eternas,/

Com aquelas almas / humildes e ternas.

Conduzi-as logo / À feliz herança /

Da vossa suprema / Bem-aventurança.

Transporta-as já / Sem mais dilação /

Para os tabernáculos / Da santa Sião.

Por vós gozem elas / Sem menor detença /

Os doces efeitos / Da vossa presença.

Peçamos a Deus / A eterna luz,/

Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus.

Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório./

Em favor das almas / Lá no purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria.

Oração

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem- aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Oferecimento

Nós Vos oferecemos, / Ó bom Deus propício, / Pelas tristes almas, / Este breve ofício. Vós que sabeis tudo / Quanto nós pensamos, / Bem sabeis que almas / Hoje sufragamos. Participem todas / Por vossa bondade, / Conforme a justiça / E a caridade. Para que por vós, / Jesus, Sumo Bem, / Em paz já descansem / Para sempre. Amém.

Ao Mês das Almas

Respostas

Meus amigos, vós ao menos,/ de nós tende compaixão,/ rogaremos, pois, na glória,/ pela vossa salvação.

A

Ai de nós que se dilata / a nossa ardente prisão./ Quando veremos a Deus / no Reino da Salvação.

B

Bem podia nossos filhos,/ nossos irmãos, nossos pais,/ moderar nossos tormentos,/ dar alívio aos nossos ais.

C

Com sufrágios, com pedidos,/ a Deus nosso Salvador / pra tirar-nos destas chamas / pelo seu divino amor.

D

Dai-nos socorros mortais,/ abrande-se Deus por vós,/ lembrai-vos que sereis breve,/ padecentes como nós.

E

Estamos em mar de fogo,/ onde jazigo já não temos,/ só nas vossas orações / achar alívio podemos.

F

Fogo ativo, fogo ardente,/ chama a mais devoradora / pela justiça divina / em nossas almas labora.

G

Gemendo, mas esperando,/ chorando por ir gozar,/ a Deus por quem suspiramos / se finde o nosso penar.

H

É possível, ó mortais,/ que esquecidas desta sorte,/ vosso amor para conosco / tivesse fim sem a morte?

I

Irmãos no corpo e na alma,/ irmãos na religião,/ irmãos na vida e na morte / tende de nós compaixão.

J

Já fomos no mundo amadas,/ de vós agora esquecidas,/ sofrendo estamos as penas,/ por nossas culpas merecidas.

L

Lembrai-vos de nós, aflitas / Por Deus, por Santa Maria,/ que por entre acerbas penas / a sua glória nos guia.

M

Mundo, ó mundo enganoso,/ que deixamos sem pesar,/ medita em nossos tormentos:/ terás menos que purgar.

N

Não peques, pois que os pecados / condenam sendo mortais,/ estas chamas só consomem / simples culpas veniais.

O

Oh, se todos nossos dias / fossem dados ao Senhor,/ não havia purgatório / nem penas de tal rigor!

P

Purgatório onde existimos,/ chamando Igreja purgante,/ é o lugar que habitamos / entre fogo devorante.

Q

Quer Deus estas nossas almas / qual ouro purificar,/ pra na Igreja triunfante / o podermos gozar.

R

Rogaremos então nós / pela militante igreja,/ vossa devoção conosco / hoje abençoada seja.

S

Seja o nosso Deus servido,/ nossos rogos aceitar,/ entretanto vós por nós / não cesseis de suplicar.

T

Tende de nós piedade,/ cristãos filhos de Jesus,/ vos pedimos pelas dores,/ que por nós sofreu na cruz.

U

Um rosário muitas vezes,/ pode uma alma resgatar,/ se for dum vosso parente / que prazer em o pensar.

V

Venham a nós vossas preces,/ penitência e devoção,/ missas, esmolas, sufrágios / fazei por nossa tensão.

X

Chamai em nosso socorro / a Mãe de Deus vossa amante,/ cuja vista nossa chama / torna mais refrigerante.

Z

Zelai os nossos legados,/ como Deus mandado tem,/ para nos vermos unidos / nos céus para sempre. Amém.

Bendito Final

Bendito Deus de Israel,/ que fez nossa redenção / purgadas no fogo as almas,/ as leva à Santa Sião.

Bendito que entre as chamas,/ dentre o fogo abrasador,/ livra as almas que no Céu / lhe vão tributar louvor.

Bendito Jesus; Pai nosso,/ que nos altos céus estais,/ socorrei, como pedimos,/ as almas santas que amais.

É bendito vosso nome / e também santificado / pelas almas que absolveis, / do resto do pecado.

Chegue a elas vosso Reino, ouvi seus gemidos ternos,/ fazei-as passar aos vossos / Tabernáculos eternos.

Cumpra-se a vossa vontade / em que saiam do tormento / essas almas que suspiram / pela luz do livramento.

O pão que elas desejam / lhes daí Senhor neste dia./ Vós mesmo sois o pão vivo / que as farta de alegria.

Perdoai quanto vos devem;/ como bom Pai amoroso / libertai libertai nossas irmãs / desse lago tormentoso.

Hinos à Santíssima Virgem

Pelos mortos

(Versão do latim)

I

Aos que nas chamas estão / do purgatório terrível,/ nesse tormento indizível,/ valha tua compaixão,/ Ó Maria!

Fonte pura e salutar / que lavas nossos pecados,/ banha as almas dos finados,/ alivia o seu penar,/ Ó Maria!

Atende essa grei tão pia:/ sua aflição é intensa,/ ergue-as à tua presença,/ dá-lhes a eterna alegria,/ Ó Maria!

Mãe, acode aos padecentes,/ abre-lhes o seio amoroso;/ do Cristo o Sangue precioso / resgate já esses crentes,/ Ó Maria!

És a esperança da Igreja:/ em prol dessa multidão / move teu Filho ao perdão,/ dá-lhe a coroa que almeja,/ Ó Maria!

Que este pranto, esta prece,/ indo ao Sumo Julgador,/ desse fogo abrasador / livre a Igreja que padece,/ Ó Maria!

E no dia de juízo,/ quando Jesus nos julgar,/ Terna Mãe lhe hás de rogar / que nos leve ao Paraíso,/ Ó Maria!

II

Coro: Santa Mãe de Deus,/ Mãe do Salvador,/ abri os céus,/ das almas tende compaixão.

1. Tende compaixão,/ Mãe do Bom Jesus./ Por vosso amor,/ livrai as almas da prisão.

2. Que na eterna luz,/ estejam com Jesus / em doce união,/ felizes para sempre. Amém.

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Editado, formatado e revisado

por

Carlos Alberto de França Rebouças Junior

Fortaleza, 27 de março de 2011.


[*] O escritor não cita ipsis verbis os textos, mas dá seu sentido exato. (Do Trad.)

[†] É portanto, contrária ao ensino da Igreja, além de humilhante e afrontosa aos destinos e condição das almas dos finados, a doutrina do espiritismo que dá aos médiuns o poder de as chamar ao mundo a fazerem revelações. A Igreja tem por várias vezes condenado esse erro e suas funestas práticas e, ainda recentemente, ocupou-se do assunto o Instituto Psicológico de Paris, nomeando para estudá-lo uma comissão que a esse fim celebrou 60 sessões, nas quais tomou parte o medium mais afamado da Europa e cujo resultado Gustavo Le Bon, que é um eminente cientista e não um clerical nos Annales de Sciences Psychiques, resume na seguinte conclusão: «O que há de certo no espiritismo é ter abalado milhares de mioleiras que já não estavam muito sólidas». (Do Trad.)

[‡] Acoroçoar significa incitar, animar.

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